domingo, 30 de agosto de 2009



CADA UM TEM SEU DRAGÃO

Meus amigos não mais sapateiam
Ao som de Jorge Bem Jor.
A falta do coqueiro, os sapatos
E a idade os impedem
Ou será porque são pais?
O que sei é que pulei e sapateei (calçado)
A noite-madrugada a fora
E mesmo na falta dos coqueiros (daquele bar)
Dos amigos
E do tempo
Eu vi o Jorge montado em seu cavalo branco
Lutando contra todos os dragões de nossa adolescência...
Um Jorge com frio
E pele de menino.
Um Jorge imortal
Como nossa amizade...
Os quatro cavaleiros do Apocalipse
-que, na verdade, eram cinco-
Não estavam todos lá
Mas os representei da melhor forma possível:
Com direito a muito álcool, só pra desinfetar...
Nossa amizade é eterna como
A imagem imortalizada de São Jorge
Com sua lança cravada no coração do Dragão
Imortalizada como a dor de toda nossa nação
Imortalizada, como nós irmãos,
Os cinco do apocalipse...
Salve Jorge!

sexta-feira, 28 de agosto de 2009



SURPEFÍCIE SUJA

A mesma superfície da mesa suja
Limpa-se com o passar da mão, caminho
Limpo, cercado de poeira impregnada
Vinda do vento da construção.

O corpo não se limpa com o passar de mão,
A poeira é muita, poeira estacionada
Por trinta e cinco anos. Poeira
Ou pele?

Corpo e mesa redondos, quatro pés
Ambros,
Mas com funções diferentes e modificadas
Pela evolução.
A mesa é para quatro (cadeiras).
O corpo é só.
Um nasceu para ocasião.
O outro por ocasião.
Ambos na junção de corpos.

Mesa e corpo; corpo mesa
Objetos para enfeitar a sala;
A casa; a rua; o bairro; a cidade;
O município; o estado; o país;
O continente; o globo
Enfeite de vidro e ferro e pó.
Enfeite de osso e víceras e sangue, só.

Um corpo como simples objeto:
Corpo utilidade; corpo função;
Corpo que não sustenta a alma,
Porque corpo é mesa:
Mesa de servir jantar,
Mesa de baralho,
Mesa de beber,
Mesa de lamentar
Mesa é corpo
Corpo: mesa de problemas

O corpo vira poeira e pó.
O corpo vira comida de bicho.
O corpo vira gás: incha e explode.
A mesa fica...
A mesa fica...

Mesa
(Teto de cachorrinha preta que me fita com a caneta na mão. Teto de criatura amor, curiosa e arteira.
Teto empoeirado de chão de madeira).


Mesa
Sempre a espera de mais poeira
De mais pó
Vindos de outra construção
A espera de novo corpo que lhe passe a mão.
A mesa fica...

Vou...
E a mesa fica,
Sustentando minhas palavras
Escritas
E um pouco do mundo
Imundo.

quarta-feira, 26 de agosto de 2009




SEMPRE MENINA


Algo estava diferente quando acordei no sétimo dia, o de programa de auditório e almoço em restaurante self-service. Logo que abri os olhos sua imagem me veio à lembrança e recordei o dia em que te conheci. Bem... conheci, não, apenas te vi. Porque foi só isso que me deixou fazer. Ao me ver, escondida atráz de uma porta, logo tombou seu corpo para dentro da casa transformando-se de imediato em uma meia pessoa, de uma simetria bi-lateral perfeita, como a estudada nos livros de biologia; via apenas sua parte esquerda: o olho, meio nariz, mão, ombro, tronco e perna; era a metade de menina mais perfeita que já tinha visto.
Desde então minha vida foi conquistar sua atenção: uma risada, o afeto, um abraço, um simples aperto de mão. Várias foram às vezes que me procurou para sanar suas dúvidas de criança, de adolescente e certa hora de mulher. Aconselhei; protegi; indiquei caminhos a seguir, não sei para que! Você sempre me antecipava e já sabia o que fazer para curar e extinguir a dor do amor. Amor que nunca vivera de verdade. Por enquanto só o encontrou e experimentou em quantidade e pouco teve em qualidade.
Você me trás à tona o amor infantil, sem desejo, amar por amar. Amor que da vontade de exibir o que sei fazer de melhor no jogo de bola; nas empinadas e derrapadas de bicicleta; nos recordes no vídeo game e nas notas da escola. O infantil amor dos olhares no recreio, sempre regados a sol, merenda nos pratos de plástico azul e risadas maldosas dos colegas, que são mais crianças que nós e acham que tal olhar é desejo de se transformar no sexo oposto. Coitados, tão crianças! Não sabem ainda que o amor não passa disso: transforma-se em uma outra pessoa, em uma única criatura.
Torno a ser infantil, eu que já estou velho e barrigudo, no auge da minha gagueira dos trinta e um anos de bebedeira. Velho perante sua vida de alegria. Sua vida intensa. Seus intensos casos. Ah, esses casos! Como tem a capacidade de amar tão fácil uma pessoa, e como ama tanto essa pessoa em um espaço de tempo tão curto. Sempre digo que seu amor é instantâneo, igual a nescau: basta mexer com uma colherinha e pronto! Rápido também é sua facilidade de desamar tal pessoa. A cada encontro que temos você já enterrou o último amor tão fundo que nem arqueólogos mais experientes encontrariam vestígios do desalmado!
Sua felicidade é contagiante; suas histórias deveriam ser escritas e publicadas, seriam best-seler na certa; sua sinceridade nos corta como navalha e nos delicia como o melhor doce da geladeira, que pegamos ao acordar para adocicar a boca amarga; seu sorriso clareia o dia nublado; seus olhos felinos nos tranqüilizam; sua embriagueis nos faz dançar. Nunca perca sua intensidade. E mesmo aos vinte, seja sempre a menina que me faz voltar a brincar...

terça-feira, 25 de agosto de 2009



O SUSSURO


Eu queria que um dia o mundo parasse para tentar escutar os sussurros do meu coração. Nesse dia não haveria o canto dos pássaros. As minhocas desistiriam de perfurar o solo por esporte, cobrariam pelos túneis que fazem as raízes respirar. As árvores morreriam, não pagariam pelo ar. Os incetos secariam, não haveria sangue. Vida não haveria nos mangues. O blues seria ainda mais triste. O álcool não aliviaria a dor. A mulher não valeria pra nada: parir, amparar, amar. O cachorro seria nosso maior inimigo, espalharia nossos segredos aos quatro cantos, quando começasse a falar. O mar estaria de ressaca, ainda bêbado, irritado com a lua que o fez chorar. No céu nuvens pesadas e sombrias avisariam a chegada da chuva esperada, que não seria o alivio sonhado, tornar-se-ia em dilúvio, rasgando a terra seca fazendo o sangue barroso ancorar na poça próxima. As cigarras não cantariam para chamar a atenção de suas parceiras, cruzariam com qualquer uma. As formigas não mais trabalhariam, viveriam vagabundas e bêbadas como o mar, pois saberiam que nada mais adiantaria. As joaninhas já sumiram: são videntes. As borboletas seriam lagartas para sempre. O jabuti despiria sua armadura, seria presa fácil. A cobra conquistaria seu velho desejo de voar. O sol desistiria de lutar contra as nuvens. Nas cidades, sobre o pó dos restos das construções os homens sumiriam, implodiriam ao botar para fora sua dor. No campo, os animais agonizariam a falta de alimento para seu sustento. O leite azedaria. As plantações não dariam um só grão, um só fruto, um só ar de vida. O verde se apagaria. A única cor seria a falta total de cor: preto. As pessoas não viveriam juntas novamente. O fim da sociedade. O fim do cortejo. O fim do romance. O fim. Se os sussurros se tornassem gritos: Avalanches destruiriam civilizações inteiras. O mar invadiria a terra, lavando os podres do chão. Os vulcões inativos acordariam irritados com tamanha algazarra e cuspiriam fogo nos mais próximos e gases tóxicos nos mais distantes. O petróleo se espalharia pelos rios, tornando-os veias mortais. A água de beber teria cheiro de enxofre e gosto podre. Os ferimentos se abririam, inflamariam, matariam. Alguns morreriam de susto com o grito agudo, outros morreriam por morrer, simplesmente não haveria mais nada no dia seguinte. Viver pra quê? O mundo pararia para o sussurro e se dissolveria perante o grito. Esse dia há de chegar, tanto o do sussurro, quanto o do grito. Ou torçam para meu coração parar! Nesse dia o mundo se salvará, assim que meu coração se acalmar. Alegrem-se! Vivam! O mundo está salvo. Morri. E junto foi-se o grito e o sussurro.

segunda-feira, 24 de agosto de 2009



COMPLEMENTO À FIDELIDADE

...ao soneto da fidelidade de Vinícius de Moraes...
Atual, forte e real
Assim vejo os versos dele,
Uso-os como sussurro em seus ouvidos
Para sentir o perfume do seu corpo,
Decorar a silhueta da tua nuca,
Ouvir seus gritos de prazer,
Acariciar sua pele arrepiada
Após as mordidinhas
No pescoço...
Risos e gestos de carinhos...
Olhos meigos...
Um momento de nada... sem nada...
Branco total dentro da cabeça,
Apenas o momento
....
Seu gosto mistura-se ao meu.
Isolados de tudo,
De todo mundo...
Nos tornamos um só:
Infinito, imortal e real
Enquanto dure.

domingo, 23 de agosto de 2009



TARDE (E) SEM CHUVA

Meu amor, dôo-te minha felicidade
Para que possas rir em língua estrangeira
E se agasalhar com meu sorriso.
(Lá fora o barulho é ensurdecedor
Murmúrios de vozes sem rostos
De pessoas sem nome
De vultos sem corpos).

Dôo-te não só a felicidade
Como também as batidas de meu coração
Para que ele possa acelerar seu sangue
Suas metas de vida
Sua volta
(Lá fora parece que vai chover,
Mas não chove)!

Aqui ta frio,
O sol se foi com você, por quê?
Dê um drible na noite,
Volte para o lado de cá
E traga o sol de volta
Com você.
Traga de novo minha luz,
Porque lá fora
Não tem nada, não tem ninguém,
Só lembrança e lamentação
E solidão.

Traga de volta o meu sol!
Para o ipê, que vejo no horizonte
Volte a brilhar.
Para que o canário volte a cantar.
Para que o bem-te-vi,
Possa te falar:
Que bem que te vi.

Lá atrás do morro, no fim da minha vista
Parece que estou vendo um clarão...
Esperança de ser você
Voltando com
O sol no coração...

sexta-feira, 21 de agosto de 2009



PELA MADRUGADA

Deparo toda noite
Parado no espaço
Perdido e vagando
No mar das idéias
Da tormenta vinda de mim.
Surge a amizade
Como um bote salva-vidas.
Amiga
Que mostra,
Que mesmo perdido
E distante a quilômetros
Existe um amor.
Amor
Que não é feito de carne
Mas é fiel
Incondicional
E imortal.
Nem mesmo uma tempestade
Nos separa.
Estou presente em ti,
Assim como você está em mim.
Somos um único coração.
Madrugue sempre comigo
Meu amor irmão.

quinta-feira, 20 de agosto de 2009





ÓSCULO

Ei, cadê você?
Eu com minha miopia
Você com seu tamanho
Quase inexiste, embaça, some.

Um grau e meio
Um metro e meio
A um passo e meio
Perco-te, receio.

Agora pronto!
Estou ao encontro
É quase um encanto

Óculos na mão
Realiza-se o desejo
Vejo-te e beijo!

quarta-feira, 19 de agosto de 2009




ESPELHO

Me reconheci espelho de mim,
Em preto e branco,
Como imagem de filmadora refletida na televisão
Eu dentro de mim...de mim...de mim...de mim...
Infinito...
Até o fim.

terça-feira, 18 de agosto de 2009



O RADICAL MUNDO NOVO


Ta aí, foi com os trintinha mostrando sua presença nas marcas que o tempo traz ao nosso rosto, que resolvi, num súbito momento de loucura ou desespero, não me lembro bem, só sei que não pensei muito no assunto. Resolvi. Fui lá e me matriculei em uma academia de ginástica. Ponto. Pronto.
Nunca tinha praticado um esporte com freqüência respeitável, ou saudável como uns gostam de chamar. Esporte para mim tinha a freqüência de um natal, com a durabilidade do carnaval, com o esforço físico de uma partida dificílima de sinuca disputada com um companheiro de cabulação de aulas.
Chegando à terra desconhecida me deparei com os mais estranhos e sinistros aparelhos de ferro espalhados por uma sala iluminada e cheia de espelhos, pareciam ter saído de uma série de ficção cientifica dos anos cinqüenta ou máquinas de tortura usadas pela inquisição para mostrar a pureza do Cristianismo os pagãos remotos. Fui apresentado a todos os aparelhos pelos seus respectivos nomes, cada um melhor que o outro, uns simpáticos outros nem tanto, gostei em especial do apolete, nome apetitoso, carinhoso, digno de apelidar intimidades femininas, quando lhe damos personalidades e vozes. Ah! apolete...
Passando-se as apresentações teve inicio a fase da tortura em si, comecei a usar as máquinas. Cada uma tinha o movimento certo para o músculo apropriado, uma endurece isso, outra aquilo, no geral todas servem para endurecer sua carne te transformando em um gado impróprio para consumo canibal, mas muito apreciado aos olhares de espécimes do sexo oposto. Funciona assim: começa numa correria transloucada, que nunca se chega a lugar nenhum e não se vê a paisagem passando a sua volta, após um tempo determinado um bib lhe diz a hora de parar e mudar de suor. Chega a vez de levantar pesos, balançar pesos, baixar pesos, empurrar pesos, xingar os pesos, chutar os desgraçados, querer matar quem inventou essa merda, puxar a merda, empurrar a merda, levantar a merda, baixar e balançar a merda. Burro, é assim que me sinto, um típico burro de carga que trabalha sob o sol com os incentivos das chicotadas de seu dono que só sua quando levanta o braço para o próximo estalo no lombo eqüino. É o prazer do instrutor te lembrar o próximo trampo, dá para escutar o chicote te cortando a carne. Os instrutores não passam de sádicos. Mas assim como os burros: acostuma-se.
Um dia correndo na esteira, a estrada sem destino, me deparei cantando uma música, o alivio veio ao meu encontro, foi como nascer de novo, esquecer todos os males, me desligar do mundo, ser o mundo sem ninguém, só o mundo. Quando vi tinha parado de correr e começado a andar com um gingar no corpo, um andar malandro, com os braços balançando em sintonia alternada e só uma frese me vinha a mente: “ei dor... eu não te escuto mais... você não me leva a nada, ei medo não te escuto mais... você não me leva a nada... e se quiser saber pra onde eu vou... pra onde tenha sol... é pra lá que eu vou...” Foi assim que perdi o medo da academia. Mas ainda continuo procurando o sol.

segunda-feira, 17 de agosto de 2009



MUNDO RACIONAL SUPERIOR


Sair do sonho
E entrar no esquema,
Perder a inocência do sonhar
Para o verbo ter!
Perder a pureza
E padecer no mundo da realidade!
Cada um quer ter,
Cada vez mais,
Uma quantidade maior
Que a do outro.
Ter coletivo:
O ter que esgota
Que seca
Que definha
Cada sonho e realidade.

sábado, 15 de agosto de 2009



ÍNSULA

Pedaço de terra jogado ao vento
Desprezado pelo continente,
Presa ao mar por âncora de amor.
O mar te ama e te acaricia
A cada vai-e-vem de ondas
(Massagem na pele de areia e pedra).
Amor: cercado de terra: cercado de mar.
A saudade faz do planeta uma ilha
Cercada de vazio e escuridão:
Flutuante amor a vácuo.
Ilha, do sorriso aos pés
Do desejo à volúpia,
Quem te cerca sou eu:
O mar que não a deixa à deriva...
Te abraço a todo instante
E me misturo a você, em você,
Na forma de grão, espuma branca
E amor e sal...
Corroendo-te e trazendo-te
Dia após dia, aos pedaços
Para dentro de mim:
Amor de mar corrói
Amor de mar cerca
Amor de mar
Amor de mais

mar amor mar amor mar
amor mar ILHA mar amor
mar amor mar amor mar

quinta-feira, 13 de agosto de 2009



NA NOITE ANTERIOR A HOJE

Inseto
Que voa esbarrando na noite
À procura de luz.
Zunido incandescente à lâmpada,
Perdeu agora sua espada envenenada:
Ferrão e abelha no chão.
Apaga-se a luz
Tudo se esfria, escurece
O sono me chama
A guerreira morre.
E as outras onde estão?
Morreram como os meninos homens,
Hoje corruptos,
Que visavam a grande colméia em 64?
Somos hoje produto do pólen,
Filhos da colméia
E secamos cada favo de mel
Sem repô-los, secamos tudo:
A luz,
O zunido,
A espada,
O sono,
O sonho,
O mundo.
Seco e moribundo
Retiro-me
Torrado à luz incandescente.

quarta-feira, 12 de agosto de 2009



CORPO HUMANO

...parte material...

Porção limitada de matéria
Substância física
Camada de células
Junção de músculos
Conjunto de ossos
Bolsa de água
Mangueira de sangue
Poço de banha
Tubulação de tripa
Fábrica de bosta
Esgoto de escroto
Colônia de vírus
Pote de carne
Alimento de chão.

...oposição à alma...

(*) (*) (*) (*) (*)



ERA DO ERAMOS


Vivemos na era da gripe dos bichos
E das mulheres frutas.
Morre-se de gripe suína: espírito de porco?
Padece-se de gripe aviária: caldo de galinha?
Come-se morango, mamão, melancia, goza-se?
Não mais sentimos os gostos das frutas
Sentimos o cheiro da pele molhada de suor
Por seus movimentos de amor.
Mulheres perecíveis, de venda fácil e de validade curta.
Não! Mulheres mulheres.
Basta!
Os animais, pobres-diabos, levam a culpa,
Que hipocrisia...
A gripe é do homen, que se faz de besta
Enquanto aniquila as frutas, as mulheres,
Os animais, o tempo e o sexo.
Restando apenas a gripe
a culpa, e
A mesma morte suína:
Com a faca cravada no sovaco e
O sangue a jorrar junto com os gritos de pavor
Porque?...porque?...porque?...
...
Até o silêncio do fim
De cada um.

terça-feira, 11 de agosto de 2009



LEVANTAR DA NOITE

Homem que constrói
Que levanta cidades,
Pontes e escolas – faz faculdade -
Nunca teve tempo de construir o seu amanhã
Pois, homem que constrói tem que construir,
Não progredir.
Homem que mata a fome do mundo por concreto,
Quase não come, só come quando dorme – sonha:
Sempre almeja algo de concreto para o filho
(que herde sua força, não sua construção)
Cresça filho do homem, com o estudo em busca do pão.
Pão, razão maior do homem que constrói.
Todo dia: pão, pão, pão...
Segue adiante o homem
Construindo o mundo
Dos filhos dos homens
Que comem e matam e consomem
E subornam e roubam e destroem!

segunda-feira, 10 de agosto de 2009



DISPERTAR

Ao te ver...
Um clarão, um brilho,
Sol...
Nossos olhos se encontram,
O seu nunca se apaga,
Ofuscam até minhas lembranças...
Ah! Tua boca...
Sempre feliz e evidente e fácil e ágil e manheira...
Cada olhadela: minutos de êxtase.
Cada sorriso oculto: vontade de estar junto.
Amamo-nos sempre em datas prefixadas...
Desejamo-nos por anos a fio...afins.
Os olhares se fixam, o corpo treme
Até que um pára, reflete e sabe,
que não seremos mais que o desejo
de algum dia nos tocar,
para que ao menos,
possamos nos amar...



...Sou louco...de rir...de chorar...de iludir...você pode comigo...sempre pôde...O que será que ando fazendo aqui?


COSTUMES

Os muros da minha prisão são construídos com meu egoísmo.
Os portões com minha desconfiança.
Os guardas com minha consciência.
A fuga, com meu amor.
...

terça-feira, 4 de agosto de 2009



OLHOS DO MUNDO

Faço
Fosso
Fundo
Mundo.

Faço
Fosso
Grosso
Fundo
Mundo.

Grosso
Faço
Mundo
Fosso
Fundo.

Mundo
Fundo
Fosso!
CADA SER

Apenas Somos
Sonho,
Soneto,
Fomento,
Folheto,
Esqueleto.
POÉTICA

A dor é a melhor
companhia da pena
De um poeta
Pateta!

segunda-feira, 3 de agosto de 2009




ÚNICO CÁLICE

Tempo sem fim...
Pensamento finito...
Vinho que acaba
E mata o advento do
Infinito.
Infinito fosse o vinho
Transformando o pensamento
Em tempo.
Tempo ímpar
Dentro de um cálice de vinho.
Vinho, pensamento intuitivo,
Íntimo e indefinido
Venha a mim
Infinito copo
E cale-se.


SIMPLESMENTE FLORES


Ah... as flores
E seus movimentos.
Momentos de amores,
São tantos e todos felizes.
À luz do dia
Ao vento da noite
No gosto do suor que sai de cada movimento
Sob sol da tarde,
No dia que arde.
Flores... e seus movimentos de amores
Sentimentos reais,
Tais quais palavras sua:
Que fazem a alma rir
Que movem pedras
Que aniquila mágoa
Que dissolve o medo.
Flores...
Incontáveis,
Como meus sentimentos.
Fixas,
Como meus pensamentos.
Refúgio,
De o meu gostar.
Porto,
Do meu prazer.
Flores que trazem pra mim
Não perto do fim
A amada,
Idolatrada
Simplicidade de um inseto:
Carrapata,
Alimente-se de mim...


ANDAR

O sol se põe
Todos os dias
Em frente à minha casa,
Prenúncio do caminhar
Mais intenso
Que já presenciei
Andar loiro
Andar macio
Andar limpo
Andar perfumado
Andar delicado
Andar concentrado
E sempre infiltrado
No seu mundo.
Andar que nunca sai
De seu telefone celular,
Pois só fala com a máquina.
Que vontade de ser tal aparelho
Para nunca abandona-la
Levaria-me onde for
Nas suas caminhadas,
Na escola,
Nas rodas de amigas,
Para dentro de casa,
Na cama,
À mesa,
De frente à televisão,
Nos banhos demorados,
Nos toques carinhosos de frente ao espelho.
Transformaria-me em cada parte de seu corpo,
Ou, poderia ser a voz do outro lado
Uma voz sintética,
Mas cheia de amor;
Te amaria sem cogitação,
Nunca teríamos estática,
Jamais me trocaria por modelo mais novo.
Queria que olhasse para cima
E visse que a amo mais que seu telefone.

...

Pena que para você, não possuo bateria.
Pena que para você, não caibo na sua mão.
Pena que para você, sou de carne e osso.
Pena que para você, em seu mundo
Sou mudo.



SABE-SE LÁ

Santa devassa
Devassa santa.
Uma pode ser várias
Várias não podem ser uma.
Aquela que quando olhamos
Olhamos bem no fundo dos olhos
E sentimos,
Sentimos algo inexplicável...
Um sentimento incontrolável...
Sem dúvida,
Simplesmente sabemos...
É ela...é ela...
É quando decidimos trocar todas
Por uma,
Uma única
Santa devassa
Devassa santa
Essa será sua eterna
Mulher.



BÔNUS

A graça dos bônus.
Sem saber o tempo a falar,
Falando apenas por falar:
Em todo intervalo
Em toda hora vaga
A cada novidade
A cada bebida experimentada
A cada cheiro exótico
A cada comida de boteco
A cada lembrança do ausente;
Saudades caninas...
Histórias da classe
Casos da academia odiada
Perfil dos mestres
Tempo percorrido
Falar por falar.
Comparado ao amor,
À procura de um bom sinal:
Infinito
Interminável
Amor de bônus
Sempre recarregado
No começo de cada mês
Para o ciclo tornar
E o mesmo romance
Recomeçar.

terça-feira, 14 de julho de 2009



VIDA FRÁGIL.

Vidro,
a vida na minha mão.
Mãos, não tenho mais,
já era a vida!
Quebrada aos cacos
vida partida, dupla,
cada pedaço um conto,
cada conto uma fase.
Cacos pequenos: criança,
maiores: adulto.
Nem sempre certos
porém, donos da razão
que em uma fração se acaba
pois os cacos são jogados fora
como as lembranças
como as histórias
e também a vida...

sexta-feira, 10 de julho de 2009



NOSSO TEMPO É PRESENTE

Hoje
Nosso clima é o mesmo.
Nosso mar,
Na mesma margem,
É um lago.
O frio que te castigava
Era o calor que me desidratava.
Hoje
O calor de nossos corpos,
Causa inveja ao sol tropical.
Corpos,
Que não se conheciam
De almas errantes,
Cúmplices amantes.
Hoje
Distância não há
As barreiras caíram
A língua é uniforme
No ente querido
De corpo presente.
Hoje
Depois de tanto viver
De tanto aprender
De tanto sofrer
De tanto sonhar
De tanto querer
Nos tornamos dois,
Em cada um.
Hoje
E sempre...

quarta-feira, 8 de julho de 2009



A VIDA PASSA...
...OS PAPÉIS NÃO.


Papéis
Da minha vida:
Bilhetes
Fotos
Cartas
Cartões
Certidões.
Alguns portam:
Paixões
Arranhões
Palavrões
Declarações
Amores
Lembranças
Brigas
Rumores.
Todos contém:
Amigas
Ausentes
Esquecidas
Presentes
Sorridentes
Confidentes.
Eternamente
Mulheres amadas
Cada uma no seu tempo
Cada qual um pensamento
Sempre guardadas
Em uma caixinha de bombons.
Os papeis são fragmentos
De cada dia
De cada sorriso
De cada desacordo
De cada contentamento
De todos os amores
De todas as alegrias...
Ah! Como são bons
Meus pensamentos
Minhas lembranças
Nossas esperanças
Dentro da caixinha
De bombons.

segunda-feira, 6 de julho de 2009



CENTRO HISTÓRICO

Das ruas nascem as histórias.
Das pedras encaixadas sobre medida,
Nossa vida iludida.
Outra pedra
Novo encaixe
Plana
Boa para dançar
Samba.
Sambar
Dançar
Bambolear
Em cada ladeira
Pelas vielas
Via-sacra por todas as capelas
Com direito a pachorra
No largo das donzelas.
Rua,
Que nasce das pedras
Traga-me uma mulher
Que me faça feliz
Esta,
Se algum dia me iludir
Deixe-me ao menos sorrir
Pois sou a pedra
Plana
A espera de ti.
Sambai!
Dançai!
Bamboleai!
Divirta-se em cima de mim.

quarta-feira, 1 de julho de 2009



GUERRA

Seremos então só morte,
morte pútrida
num corpo forte
onde a alma se esvai.
Seu cheiro suplica a presença de outros,
logo acontece.
Tem um vizinho novo,
outro morto, jovem.
Unem-se os cheiros
acumulam-se os corpos,
como se fossem porcos.
A guerra acaba,
mas a dor não passa
Morte, é o que fica.
Morte que nos arrasa!
Morte que nos atrasa!

terça-feira, 30 de junho de 2009



CHEIOS DE SI

Pobres peitos
que não têm sal,
salmoura... masmorra,
prisão do meu ser.

Pobres peitos
que não têm sustento
parados no ar
seguros por meus pensamentos.

Pobres peitos
que não me conhecem
mas a todo instante
me enlouquecem.

Pobres peitos
que sempre me olham
mas nunca me tocam
e riem de mim.

sábado, 27 de junho de 2009



A CANECA

A borra preta
No fundo da minha
Caneca companheira
Trouxe-me à lembrança
As noites passadas em branco
Com os pensamentos a mil.
Cada problema indo e vindo
Cada vontade explodindo
Cada sonho se esvaindo.
Caneca vazia de líquido
Mas cheia de ar
Noite que parece nunca mais
Acordar.
Travesseiro ouvinte
Travesseiro conselheiro
Travesseiro terapeuta.
Novamente
Saio a procura de minha caneca
Encho-a de café,
Bebo!
Amargor adocicado na língua.
Os pensamentos seguem o caminho do liquido,
Saem da cabeça
E se acomodam no estômago,
Retidos nas vísceras
Causam gastrite.
Úlcera:
A cólera do pensamento na barriga!
Pensamentos indigestos
Pensamentos insolúveis
Pensamentos molestos.
Preto pó diluído
Salvador da dor dos pensamentos
Beberei de ti
Se preciso for
Milhões de vezes mais
Dentro de minha caneca medicinal
O preto líquido
Não deixará
Transformar-me em
Borra...
Jamais.


PAPEL EM BRANCO

É sempre assim...
Rabiscado,
Escrito
Apenas nos cantos
Às vezes, uns contos.
Sempre ao relento
A espera de idéias,
De luz
De paz
De dor
De uma história,
De alguém.
Sempre aberto
Oferecendo-se
de perto.
É sempre assim...
Um papel em branco
À espera
De um encontro
De um fim
De mim.

sexta-feira, 26 de junho de 2009



NASCE O AMOR

O amor nasce em uma tarde de passseio com o cachorro.
Nasce de um olhar diferente, ardente e fixo.
Nasce até em devoção ao crucifixo.
Nasce por ser proibido,
dizem que aumenta a libido.
Simplesmente nasce...
No banco da escola
Nas quartas em que se joga bola
Na música em comum
Nas fotos de quando éramos crianças,
empoeiradas num álbum.
Nasce de um detalhe,
De uma marca
De um sinal que não conseguimos esquecer.
Na sala de estar
Na mesa do bar
Na janela do vizinho
Nos copos de vinho
Nas filas de espera
Nos banhos de mar
Na esperança de chegar ao altar
Nos desfiles de moda
Nas revistas do mundo a fora
Na correria da hora do recreio
Nas cartas entregue pelo correio
Nos pontos
Nos bancos
No aperto do corredor dos ônibus
Por ônus
No livro indicado
No amigo do namorado
No amigo do amigo
No embriagado
No meio do sermão do padre
Na parte podre da cidade.
Nasce do gosto de cada um,
Pode ser um bigode,
Cheiro de bode,
Olho torto ou de peixe morto,
Perna curta, pescoço longo, muito tamanho ou falta de tal.
Nasce das brigas de um casal
Nas cintas-liga, que embalam as pernas para o desejo
Na fantasia sexual
Num simples beijo
Na mulher que passa, com ou sem, corpo monumental
Nas brigas de transito
No socorro aos aflitos
Nos shots pequenos
No suor da esteira ao lado
No supermercado
Nas babás dos filhos
Entre filhos dos filhos
Nos filmes do cinema
Nos fliperamas
Nas brincadeiras infantis em cima da cama
Nas roladas na grama
Na frieza das palavras lidas no computador
No gol do time torcedor
Nas juras de amor
No trabalho
À sombra de um carvalho
Nas conversas do jogo de baralho.
Nasce ao olhar os gestos delicados das mãos,
Do vai e vem das ancas ao andar,
Dos pés descalços a caminhar.
Na poltrona do avião
No samba com cachaça e feijoada
Pelas curvas da empregada
Do carinho pelo cachorro amigo
No ligamento entre umbigo
No cafuné camarada
No ombro confidente
Do abraço no corpo latente
Nas músicas eletrônicas de sábado à noite
No bordel
Dos açoites do chicote
Dentro e fora do motel
Dos romances literários
Dos consoles para solitários
Dos fricotes
Da lembrança de um perfume que o vento traz
De seu gosto que já nem me lembro mais
Da saudade
Das palavras escritas manchadas de lágrimas.
Na lealdade
Nas pernas grossas, ou nos olhos redondos e castanhos
Na boca carnuda
Na pele desnuda.
O amor nasce quando acaba
Enquanto escrevo...
Em ti.

quinta-feira, 25 de junho de 2009



ABUNDÂNCIA

Ixe...
Quanto poeta tem no mundo
Poeta sem nada
Sem ninguém
Sem onde ir
Sem porque chorar
Sem nada a mostrar
Sem porto
Sem putta
Sem labuta.
Ixe...
Quanto poeta tem no mundo
Poeta sem amor
Sem esplendor
Sem malícia
Sem inspiração daquela delícia
Sem mar
Sem dor
Sem furor.
Ixe...
Quanto poeta tem no mundo,
Mundo perdido
Que só tem poeta iludido
Que só lança palavras sem nexo...
Poeta débil e tremulo de álcool,
Frases feitas sem nenhum rigor,
Por nunca ter sentido o gosto
De qualquer amor.
Hum....
Poeta momentâneo: tipo sexo.


MONOGAMIA


Minha pouca inspiração
É fato, pois só tenho uma mulher.
E poesia, todos sabem é infiel.

Poeta feliz é que vive em bordel.
Poeta indigno escreve com tristeza
Quando lembra de sua mulher - a realeza.

Pobre poeta que se acha polígamo
Mas só é infiel no papel.
E que papel é ser poeta fiel!

quarta-feira, 24 de junho de 2009


GOSTO DAS FÉRIAS.

A luz inexistente
O medo constante das idas ao carneiro
As longas rezas do terço
As sombras tremulas vindas do lampião
Os barulhos que acordam o dia
A senhorinha frágil que nunca pára
O cheiro da lenha acesa no fogão
O fosco das panelas de ferro sobre a trempe
O rádio falando na pia gelada e sempre vermelha
Os móveis pretos que escondem as guloseimas vindas da capital
O cheiro de café torrado e moído na hora
O bolo de nada
As centenárias janelas azuis,
Cravadas nas paredes brancas,
Ambas negras de fuligem.
Meu avô no seu trono vitalício,
À cabeceira da mesa.
A água que aquece ao passar pela serpentina.
O cheiro de verde lá de fora,
Tras-me a saliva à boca.
A roupa suja de barro
As botas de borracha
O cheiro de estrume
O sabão de bola
O barulho incessante da água na bica
A pedra de amolar facas
Os canivetes desbravadores
O guloso debulhador de milho
As metódicas galinhas a ciscar
O leite embalado no balde
As vacas no curral a cantar
A beleza da ordenha
O retireiro à hora marcada
As ferramentas proibidas de meu avô
As florestas tropicais ao redor do terreiro
Os pés de cacau
As cabanas alçadas com madeira e lençol
As disputas hierárquicas entre primos
As fazendolas imaginárias
O gado feito de abacate
As frutas colhidas no pé
O córrego que me ensinou a nadar
A ilha dos canibais
As bombas certeiras de argila
As fartas pescarias
O castigo das chuvas constantes
As enchentes
O pique-pega na grama molhada
As montanhas que cercavam meu mundo.
Fazenda...
A escola da natureza
Que me ensinou a amar os bichos,
A ter saudades
Do amanhecer,
Dos gostos,
Dos cheiros,
Dos rostos,
Das férias...
Na casa de meus avós.


PENSAMENTO DESPRENDIDO...

Já fui Caetano,
Agora sou Chico.
Já fui da noite
Agora sou dia.
Nunca fui da água,
Sempre vinho.
Meu pão é carne!
Meu país Brasil,
Minha casa a situação.
A cerca que fecha meu mundo é infinita.
Infinito o labirinto
Dos andares
Dos meus pensamentos...
Sempre fui mar
À montanha.
Atrás do amor
Onde for,
Sempre estou.
Alfabeto baiano
De vocabulário gaúcho
Com modos mineiros
E pensamentos do mundo.
Navegar e viver é preciso!
Meu porto são os amigos.
Os animais cada vez mais
Me ensinam sobre os homens:
Ainda assim prefiro as patas!
Penso mais que ajo,
Aja saco para pensar.
Já fui futuro,
Agora passado.
Do antes me torno presente,
Presente quero ser.
Não me lembro mais de todos os títulos de filmes.
Perdi a conta dos discos,
Não os compro mais.
Migrei da fita K-7
À pirataria digital.
Digital,
À analógico.
Elétrico,
À combustão.
O efeito do álcool
À adrenalina.
Não ando na contra mão.
Reclamo do preço da gasolina.
Já dormi sem energia,
Hoje gasto mais que preciso.
Tenho prazer na leitura
Da qual sempre fugi,
Hoje me perco no imaginário das palavras
E fujo...
Não abro muito os livros.
Não os divido.
Não lembro de tudo que preciso.
Anoto! Onde?
Há quem diga que prefiro as morenas,
Não anteponho.
Gosto das mulheres!
Entendo o balanço dos rabos
E descompreendo o vai-e-vem das ancas.
Tive muitas amigas!
Tento compreender a complexidade feminina
Para tal, necessito de mais seis vidas!
Já gostei de multidão,
De som alto
E carnaval.
Hoje: solidão,
Fone de ouvido
E bossa nova,
Nosso jazz tropical.
Sempre à procura da vida simples...
Sempre com vontade de fazer uma tatuagem...
Sempre com vontade de algo fazer...
Sem nada fazer!
Cada vez mais tolerância zero:
Peso na balança entre o bem e o mal.
Com exames em dia
Apareceu-me o colesterol,
A dor de cabeça,
A ressaca...
Todos tratados a comprimidos
Nem sempre lembrados.
Me escondo dos médicos!
Liberdade sagitariana a cima de tudo.
Escutem: Deus lhe pague!
Sou da cidade
E não vivo sem campo.
Gosto de mudar.
Quero aprender tocar gaita.
Praticar canoísmo.
Conhecer as sete maravilhas.
Queria explodir,
Me espalhar pelo mundo!
Sempre conto o que vi,
Algumas vezes enfeito de imaginação,
Sempre para melhorar a história
E arrancar risadas:
O combustível da vida.
Os bares são os condutores!
Sempre toco guitarra no ar
Canto sem cantar,
Não sei uma música se quer inteira,
Mas converso com os cães!
Não faço a mesa para o jantar
Como em qualquer lugar.
Minhas costas doem de ver televisão
Por tal, durmo no chão.
Minha atenção se vai com qualquer obstáculo.
Preciso de terapia,
Mas não quero pagar.
Quero fotografar,
Pintar,
Escrever,
Aprender a nova ortografia.
Escrevo de mim frases finitas,
Curtas!
Queria voar...
Vôo para o tempo
Que fará de mim um longo caminho
Para que essas palavras se multipliquem eternamente.
Nunca terminei de escrever meu livro.
Não me lembro se plantei uma árvore.
Não tenho filhos.
Não posso morrer!
Tenho desejos
E amo as loiras!
Agora morena.
Não pretendo mais mudar o mundo:
“Eu que já não quero mais ser um vencedor”
Queria mudar minha imagem diante do espelho.
Quero ouvir mais jazz.
Ouço! Mudo!
Quando criança a chuva demorava a passar...
Hoje quase não chove!
Quero paz e adjacências.
Visitarei museus
E todas as galerias de arte.
Não vejo arte
Em certas artes contemporâneas
São novas de mais,
Sem nenhuma revolução.
Darei um golpe de Estado em mim,
Quase nasci no dia do Ai-5:
Cinco anos e dois dias depois...
Cresci em uma ditadura
Imposta no lar.
Ainda aprendo o espanhol
Para facilitar minha libertacion
A luta popular revolucionária dos meus “eus”
Contra mim.
E viva la revolucion!!!!!!