sexta-feira, 7 de junho de 2013



REVIRAVOLTA

Diz o pobre homem
confinado no lar
contando os segundos
para começar a amar:

Passo o dia
- passo frio-
de cara amarrada
para essa imbecil.

A revolta é tanta,
e por falta de conversa,
quando ela passa e olha,
nada contesta.

Com uma mulher assim,
melhor ficar só – à procura de mim.

Mundo infernal torna-se o lar:
Maldita hora em que resolvi me auto-analisar ...

quinta-feira, 9 de maio de 2013



SONS

Música,
Única
Dor
Que já vem com rumor.
Música
Que faz lembrar
De um amor
Que um dia
Tentei esquecer.
Que pena de mim,
Um amor assim
Nunca se esquece.
Um amor assim:
É apenas
Música,
A única
Dor
Que já vem com cor,
Sinônimo de
Amor.

terça-feira, 2 de abril de 2013



SER HUMANO...

Pinóquio é um caralho!
Quanto mais cara-de-pau e mentiroso,
mais duro e vigoroso
é o nariz grandioso
do futuro humanoide
reciclado.
Imagem e semelhança
De quem, mesmo?
Não olhe somente
para os lados!

terça-feira, 26 de fevereiro de 2013



ISOLAMENTO

A torneira da pia pinga
Pinga
( )
Pinga
( )
Pinga
( )
Pinga
Ô torneira
Que desencadeia
Uma tempestade de memória...
Perco-me em meus próprios
Lamentos...
Em melancolia, tornam-se
Todos os meus movimentos...
Pinga
( )
Pinga
Iminente momento
Em que toda lembrança
Acumulada no fundo da pia,
Foi liberada.
Com o puxar do tampo
Cada memória foi-se,
Todo meu próprio lamento,
Pelo ralo abaixo
Desmanchou-se.
E assim como num passe de mágica
No instante segundo,
Apagou-se o encanto
De todo o meu mundo.
Pinga
( )
Pinga
( )
Pinga

sexta-feira, 4 de janeiro de 2013



MORMAÇO NOTURNAL DIÁRIO

O barulho da chuva no telhado
alivia a dor causada pelo calor ardente
que matou o dia de desidratação.
Agora à noite tudo é diferente,
o alívio no peito vindo com a brisa que sopra saída não sei de onde...
A chuva é um alívio para todos...
pena que não tem o poder de renovar todas as vidas...
Vindas águas...
águas vividas,
são bem vindas as tardias águas de novembro,
que atualmente cai sei lá em que mês... quando e onde!
A vida tinha que ser vivida como água telhado abaixo...
sem retorno, em um único momento finito.
Cada lamento de calor teria que ser obrigatório a estadia,
de um dia,
de baixo da chuva que hoje custou a cair...
cair.... cair... caindo...
O que não posso apanhar com minha mão,
posso aprisionar com minha imaginação,
isso se a dor em meus olhos permitir dizer adeus,
sem assim o dizer.
Será que aguentaria essa dor mais vezes?
Fora de minha mão,
como dor alheia de corpo e presente em alma...
Tudo que eu queria e não fiz,
tudo fora de minhas mãos...
tudo do lado oposto: espelho as avessas...
Seria eu o reflexo convexo do que quis?
Sou um disco que roda ao contrario,
só quem conhece a faixa profundamente é capaz de entender o que digo nesse exato momento...
uhpipuhebpiuhrfpqiowfpqowepioeh xuqwoe pdhaqoiwefhguqhwef,........
E quem me conhece profundamente?
Nem eu sei quem sou!
Sei lá pra onde vou!
E para que pensar em quão bonito pode ser a humanidade,
- o que não creio que seja -
se lá fora continua a chover,
a lavar a podridão do chão imundo?
Vazante humana...
Será que banho de chuva lava o caráter, a alma,
Os micróbios?
Desde o início dessa prosa milongueira a chuva cai,
desde o início de nada, a chuva cai!
E a noite lá fora continua envolta em sua tristeza mórbida.
Noite sábia!
Todos que esperam a chuva,
Todos que vivem e sobrevivem na noite findam.
Assim como a noite,
finda todo santo dia!

sábado, 1 de dezembro de 2012




GATILHO

Qual o ponto de divergência das vidas que abri mão para ter essa que escolhi?
Qual o gesto, o pensamento, a atitude que muda tudo?
Qual a diferença em nossas vidas se os “SEs” fossem alterados?
Se...se...
Se todas as cervejas que fizessem pensar, fossem esquecidas,
Se certos enlaces não deslaçassem...
Se as promessas não fossem cumpridas,
Se toda oferta tivesse sido recusada?
Se todo pretérito fosse esquecido?
Se a desconfiança não tivesse sido herdada...
(virtude, vício e arrogância)
E se tudo tivesse sido diferente?
Toda música escutada,
Toda conversa propagada,
Todos os olhares não percebidos,
Todos os sonhos sonhados e não vividos,
Todos os lugares visitados, vazios...
Todas as coisas descobertas e esquecidas,
Todos os irmãos conhecidos e escolhidos,
Todos os não escolhidos, por serem de sangue,
Todos os bares perdidos,
Todas as risadas bêbadas,
Toda cumplicidade,
Todas as críticas,
Todas as dúvidas,
Todos os erros,
Todos os medos,
Toda confiança...
E se tudo tivesse sido diferente?
Todo beijo,
Toda foda,
Toda confraria,
Todo ato de amor,
Toda ajuda,
Toda confidencia,
Todo porre,
Toda lucidez,
Toda cegueira,
Toda loucura,
Toda briga,
Todo amor
...
(que nunca é único)
...
E se tudo tivesse sido diferente?
Estaria eu,
Aqui,
Escrevendo essas palavras sem sentido
Para ninguém ouvir?
Vivendo à sombra de minha maturidade...
Que inocência...

segunda-feira, 13 de agosto de 2012



PÉS BULIÇOSOS

Dez maneiras de amar.
Dois motivos que me fazem desabar.
Pés, que te trazem para mim.
Pés, desinibidos.
Pés, proibidos:
Sempre de fora,
Que te servem de escora.
Pés,
Que não me dão bola.
Que te levam embora,
Para longe de mim.
A distância,
Será nosso fim.

terça-feira, 10 de julho de 2012



RECEITA (-TE)

Se,
Como vi agora a pouco,
A felicidade se desse através de um comprimido
Estaria eu, fadado eternamente a não concebe-la,
Por não toma-lo?
Abstenho-me da felicidade por falta de coragem?
A felicidade é desejo clínico de qualquer pessoa?
O ministério da saúde adverte:
Em caso de persistência dos sintomas um médico tem que ser consultado...
Quem seria o médico da felicidade?
Qual a prescrição das pílulas?
Seriam diárias?
Mas... mas...
Quem é feliz todos os dias?

(Quem sofre desse mal?)

Prefiro ser eternamente eu,
Que ser um bôzo
Drogado e risonho...
Construído para alegrar e agradar
Os espectadores
Desse show de horrores
Que é o palco terrestre.

Más que bozerra!

quarta-feira, 13 de junho de 2012




AOS 70

Quando as ruas ainda eram de terra...
Quando o transporte era feito no lombo animal...
Quando se plantava comida para o próprio sustento no quintal...
Quando o rock ainda não existia...
Quando escutava-se: love me tender...love me sweet...never let me go...
Quando o mundo saía do terror da segunda e não derradeira guerra...
Quando o futuro amor ainda vivia de lavrar terra...
Quando o pai, pré artista pai, ainda registrava as pessoas...
Quando a mãe, sempre linda e amada, se torva a primeira Miss...
Quando o presidente que causava orgulho, gerava o nome de um irmão...
Quando todos sonhavam em ser felizes e viviam na mais perfeita união...
Em uma casa à rua Marechal Deodoro, que ainda possuía duas vias de mão...
Viviam-se os anos dourados...
Os anos incríveis...
Os anos inesquecíveis...
Em 42 surge o x de minha futura germinação...
Em 42 surge sua própria vida.
Duros anos futuros a seguir, família unida à procura de um final feliz.
Casa-se primeiro, a irmã do meio,
E muda-se para a capital Rio de Janeiro...
Casa-se logo depois a primogênita e vai-se embora de lenta jardineira
Levantando a poeira
Até Carmo do Paranaíba, cidade do agreste mineiro,
Viajando sozinha ao encontro do amor que lá residia,
Mudando o rumo de sua vida, indo à procura de sua história...
História esta que aqui me encaixo, por ser fruto do tão orgulhoso enlace...
Vida passada, aproveitada, mudanças frequentes que deram educação,
Amor e conhecimento a repassar para as futuras gerações...
Hoje agradeço a sua felicidade vivida nos anos dourados por terem gerado minha Vida...
Assim como devo aos deuses que contém a sabedoria da natureza,
Devo a ti humana, Senhora Imaculada,
O amor e a instrução que me tornaram no que sou,
Sou hoje a concentração de vários pedaços pulverizados por ti,
Pedaços que farei questão de semeá-los à eternidade...
Viva os seus para sempre 70 anos...
Relembre hoje todos os seus dias de criança, sem sapatos e comida regrada,
Até a querida avó que se tornastes.
Viva,
Viva minha mãe para sempre amada:
IMACULADA.

quarta-feira, 2 de maio de 2012


A TELA DE TODOS

Tenho vontade de pintar. Sinto que posso criar coisas incríveis, minha imaginação imagina que posso romper qualquer barreira, as cores se misturam em minha mente, meu daltonismo se cura, a combinação de cor pare nova cor. O quadro está diante de mim, pronto já tenho milhares, terminado não tenho nenhum, também quadro não se termina, sempre fica a acabar, assim são minhas idéias, minhas vontades, meus desejos. Tenho que um dia pegar no pincel, esquecer tudo, o medo, a insegurança e começar a traçar a primeira linha, torta que seja, mas que se mostre decidida e contínua. Fujo então do quadro mental para desenhar a vida material, que como a tela não terá fim, apenas um começo, um meio... enfim...
Fico pensando como seria bom sujar as mãos de tinta, colorir os calos doloridos, errar com facilidade, pintar por cima, mudar a paisagem. Facilidade, é a chave de qualquer felicidade, de qualquer momento de criação, facilite, feche os olhos, se veja fazendo, faça! Olho para minha mão toda colorida, sinto a frieza da tinha, o cheiro de química, o enrugar da pele ao secar do acrílico. Como é bom deixar de sonhar e começar a pintar.
O pano já tem fundo, formas tridimensionais, erros propositais, cores berrantes, manchas errantes, cada hora num tom tornam-se parte da figura, murmuro: então assim é a vida!
Cada certo se borra um errado? Se na vida acertarmos a metade e errarmos na mesma proporção o quadro ainda será belo, com manchas itinerantes, mas ainda será lindo. A moldura que não deve ser colocada, deixe que tenha forma própria a bela tela da linda vida.

sexta-feira, 13 de abril de 2012



RASCUNHO DE PRÓPRIO PUNHO

Me salta da mão a caneta que não me deixa escrever o que quero,
minha raiva é tanta por essa mão que se acha santa.
Queria eu me desvincular dessa maldita ideia!
Sentir dor com uma caneta na mão devia ser crime ou sacrilégio!
Traiçoeira tinta preta
que se arrasta no movimento de minha mão direita,
morre ou mata minha imaginação...
mente podre, mão mole, tinta mulata,
cheia de preguiça depois do gozo suado
que é a frase pronta no papel agora usado...
É como soar o sôo do sino da tarde … às 1:43 da madrugada...
Irritantemente adiantado, errado, incerto...
Me deixa pensamento fragmentado!
Isso mais parece pensamento de porra acumulada...
Inspiração é o caralho...
Sem criatividade e vontade de aprofundar nos pensamentos
(DE VERDADE)

Vou-me,
pois já é tarde.

quinta-feira, 8 de março de 2012



PALAVRAS

As palavras não são suficientes...
Eficientes, são os ensinamentos que elas nos trazem...
Ausente de sentimentos passo por elas...
Reluzentes, são os ecos ressoados vindo delas...
Refulgentes, são as ideias complexas mencionadas por elas...
Alucinantes, são os versos combinados em ritmos frenéticos saído delas...

As palavras são insuficientes...
No relato do que realmente somos,
Dentro de cada um de nós mesmos.
Nosso interior é enigmático,
Assim como as palavras
Que nos tentam explicar o inexplicável...

Ambos, palavras e interior
Insuficientes...
Ausentes...
Alucinantes...
Ávidos por nada...
Olvidados...

Faltam-me palavras
Alucinantes que buscam mudança...
Mas as palavras são imutáveis...
O que muda são as pessoas que as usam
E não as entendem...

Pobre das pessoas sem palavras.
Sem nada.

quinta-feira, 2 de fevereiro de 2012



NO BRILHO DOS MEUS OLHOS

Sempre sonho
Com você.
Porque nunca
Me vê ?
Vejo seus olhos,
Atrapalho seus cabelos,
Mordo sua perna.
Estou sempre atrás dela.
Olho para o alto.
Me espanto no ato.
É seu sorriso,
Mais lindo que sempre.
Abro meus olhos
Tudo se clareia,
Cabelo, boca, seus olhos...
De repente Sumo.
Somes também.
Um clarão me cega...
Já não existe ninguém.
Decido então,
Não mais acordar.
Durmo.
Para nunca mais despertar.

sábado, 7 de janeiro de 2012



BEM VINDO FIM DO MUND0

Vida estúpida que nos leva a um único caminho.
Onde nos levará o caminho da vida?

Vida... frágil e duradoura
como as linhas de uma pintura rupestre,
fabuloso desenho esculpido em uma rocha,
traços trêmulos e desgastados
esquecidos, de lado,
em um sítio arqueológico qualquer
no centro do árido piauí...
Lugar que já fora mar
hoje é seco e tedioso,
Poeira pura,
resto do fim do mundo passado.

Vida... que nos incinera,
como se fossemos uma única tocha de fonte de luz.
Vida,
Com que brilho me iluminaste?
Que presente trazes à minha porta?
Que parte me cabe nesse mundo?

Será pura racionalidade
o que o homem irradia?
Vadia!

Acabará por ser única,
não haverá outra dor
somente a dor do fio frio da navalha
no punho fino,
o puro e simples corte do
sacrifício de cometer o suicídio.

Fim do corpo, perpétuo escravo
da luz...
Sorte na viagem...
Adeus!

E no chão abaixo de mim
passo o mata borrão
em meu sangue espalhado,
Para que não haja dúvida
na escrita do que fui.

sexta-feira, 2 de dezembro de 2011



SECA

Acordar...
Não sonhar com nada,
Não querer nada,
Não produzir nada,
Não ganhar um centavo sequer.
Dormir...
E morrer novamente,
Dia após dia.

sexta-feira, 4 de novembro de 2011



MÃOS, OLHOS E MENTE

Prefiro minhas mãos,
Minhas lembranças
E muita, muita
Imaginação...

Aqui no meu mundo,
Posso ser
E querer
E ter
O que desejar...

Até que os nervos
Entrem em colapso
De relaxamento e de gozo
E o corpo comece a ejacular
A verdade na cara desse mundo
Real que não vale nada...

Mundo imagem e semelhança
De puta no cais do porto
À espera de uma nova tatuagem
Com gosto de fumo e de sal
E cheiro de maresia.
Tudo por uns trocados que não valem nada!

Escarro em tua cara,
Ó mundo,
Por ter me feito acordar
E me trazido de volta a realidade
Desses dias que me cercam e
Me aprisionam...

Puto mundo
Vai-te embora e me deixe em paz,
Sua realidade já não
Me reflete
Mais!

sexta-feira, 2 de setembro de 2011



AGOSTO

Sua voz ao telefone me
Irrita...
Mas é melhor que o vazio
Causado pela falta
Dela.

A estática constante do telefone preenche
Meu tempo de espera...

Vazio e irritante é o tempo
Que não se desvincula de mim...

Sua voz me irrita!
O tempo me irrita!
Eu me irrito!

O que sei fazer?
O que já me disseram que sei fazer?
Pelo que já fui elogiado?
De que eu gosto?
O que me pediram para fazer que eu tenha gostado ou querido?
Para que já fui incentivado?

Minha voz, dentro de mim,
Me irrita!
(essa é a questão)

Mais cinquenta e duas semanas
Mortas de minha vida...
E dentro de mim morre também
Um certo alguém
Que nunca me aceitou,
Que nunca me elogiou:
Uma aberração do próprio DNA.

E essa voz...
Essa voz que não cessa...
Isso me irrita...
Me irrita pra caralho...

Sou o corte aberto que fizeste
E foço valer cada cicatriz.
(se é que os cortes se curam)

Sua voz me irrita demais ao telefone!
… Tenho saudades de ti ao meu lado,
… Em silêncio...
(não muito duradouro)

Vazio...vazio...
Assim como esse mês de agosto.
Agosto de merda,
Termina logo com essa angustia!
Ao gosto de quem?

Finalizo essas palavras deixando
Apenas a pergunta:
Qual minha função,
Nesse mundo de cabeças invertidas?

(há dias na vida
em que dentro da gente
a gente é pior
que todo mundo)

quarta-feira, 17 de agosto de 2011



AGORA, ENQUANTO O TEMPO PARA...

Agora, para ser protegido preciso marcar hora;
Agora, para me ver no espelho, tenho que marcar hora;
Agora, para me divertir tenho que marcar hora;
Agora, para viver tenho que marcar hora;
Ora ! Para que marcar tanta hora?
Ops,
Agora, para perguntar tenho que marcar hora;
Até para ver as horas, tenho que marcar hora.
A única hora que não preciso marcar hora é a hora em que atraso o relógio
para controlar as horas que tenho para sorrir...
E recordar.

terça-feira, 5 de julho de 2011



INFINITO POTENCIAL

Assim de súbito fui pego
por um pensamento
que me deixou
em desassossego.

Se nada mais fosse natural
seria eu capaz,
por bem ou por mal,
olhar para traz
e me rever de forma irracional?

Vida sem expectativa
ou plena em perfeição
me desanima em demasia,
ou motiva-me por precisão.

Universo vasto e vidente
pense com carinho
as decisões que colocará
em meu caminho.

(perplexo: todo medo
é traumático
e didático?)

Espero deparar-me comigo
anos à frente
para conferir quem vencerá
esta batalha aparente:
o medo e a precisão,
o natural ou racional.

Para saber com exatidão
somente vivendo
infinitamente duas vidas
unidas em comunhão.

Após inerente ato
tornaremo-nos
de fato
um organismo
incalculável
em duração,
intensidade
e extensão.

(Da-se como comunhão a reunião
de forças para tornar-se maior
que qualquer outro ser
de mesma natureza)

sábado, 4 de junho de 2011



ALGORITIMO

Não precisa de muito
para ser nada...
basta não fazer
o que lhe cabe...

então,

pare de se culpar,
não
decaia em sua própria
mas-
morra,

trate-se antes que
se mate...

sábado, 14 de maio de 2011



DEPOIS DE HOJE

Como se encontrar a felicidade,
Fosse um acaso,
Me encontrei de braços abertos,
Assim me permitia a situação,
Acaso ou não, não posso deixá-la ir embora,
Principalmente sabendo que a felicidade
É encontrada por todos, independente do local onde ela se encontra.
Não cabe a qualquer humano medir
Ou saber o quanto ela durará,
Resta aproveitá-la e usa-lá sem o mínimo de moderação!
Uma nova fase se inicia,
Uma fase conjunta em todos os quereres e medos...
Mas estamos libertos para tentarmos de novo e para sempre!
Assim as vidas se unem e se merecem...
Assim duas vidas se cuidam...
E se querem...
Não somos escolhas ou preferencias,
Somos amor ou não...
O resto...
O resto sempre se arrasta...
Mas chega um dia que passa...
Sejamos então somente dois corpos
Amantes, em plena exaustão
De um amor fluído
Em cada coração...

terça-feira, 29 de março de 2011



PALAVRAS

Torna-te alimento das palavras
Que estão soltas no ar...

A maioria dos meus dias vividos
Até agora foram felizes,
O restante deles
Foram normais...

Soltas no ar...

Apanha-as e reviva a felicidade,
Sem se esconder sabe-se onde!
Porque não me chegam as frases?
Porque não dou conta de pega-las?

Soltas...
Que diabos!
Estão soltas e sem nexo...

Não consigo formar uma mísera frase sequer!

Soltas, completamente soltas,
Quisera que todas seguissem um fluxo só,
Como um rio,
E ao desaguar em um mar
(de palavras)
Se tornassem
Um belo poema para um amor...

Mar salgado,
Cheio de areia e ressaca
Lambuze dentro e fora
De nossas vestes mínimas...
Assim quando chegar em casa
Ainda me lembraria de ti,
Do poema,
E do dia...
Pois encontraria a areia esquecida
Em meus bolsos...
A pegaria em minhas mãos
E veria a água do banho
A levar para o ralo...

Soltas...
Novamente indo direto para o mar...

domingo, 13 de março de 2011



VALE O QUANTO SABE


É uma pena que eu não valho nada. Foram anos tentando e chega uma hora que de repente você acorda, ou leva na cara, que tudo que fez não valeu nada. Você então começa a se lembrar de tudo, de tudo mesmo que já fez, em nome do futuro. Cada momento que passa uma lembrança lhe vem: ter nascido, ser escolhido na loteria milionária dos espermatozoides; cair em uma família que você nunca viu na vida de feto, e olha que ela já vem toda pronta, de avós a primos, às vezes até cachorro já temos; ai vem a educação familiar, a que serve de base, de escoro, de norte para sua vida toda, e..., e..., bem, é um tal de menino não faça isso, não mexa naquilo; foi você que quebrou essa cadeira? Não coma porcaria. Coma isso, e isso e isso; cadê os chinelos; já escovou os dentes, penteou os cabelos? (para que se vão atrapalhar ao dormir?), não me responda, aliás, não responda ninguém; respeite os mais velhos; silêncio que estou assistindo televisão (e não se movam no sofá enquanto isso); pare de chorar, choramingar ou soluçar; não fale palavrão; não tenha opinião, além da minha; pare de perguntar; não grite; brincar com fogo e água não pode, faca também; vista isso que ta frio, tire esse gorro que ta muito quente; ô menino se eu te pego... e assim por diante. Depois chega o momento tão esperado de libertação dos pais: a alfabetização escolar. Pronto agora ele aprende a viver em sociedade, a dar valor no companheirismo, a ter compromisso... menino pare de rabiscar a parede; não pode conversar com o amiguinho na hora da aula; não coma cola, ela vai grudar seu estomago, ou entupir suas tripas; chiclete no cabelo não vale, não vale não. Não pode! É, pode pintar esse desenho da cor que você escolher, não roxo não pode, vermelho também, rosa, nem pensar; não chuta a canela do Pedro; não chora, só porque o Pedro te enfiou o dedo nos olhos, você já é grandinho; não corra no recreio; não jogue pedra nos outros, é isso mesmo, mesmo que ele tenha jogado primeiro, não pode! Coma toda sua papa, e pare de comer cola novamente. Para tarefa de casa vocês têm que fazer isso, aquilo e aquilo outro. Foi mais ou menos assim, e o pior é que quando estamos pensando que vai acabar, piora! Chegou a hora e a vez do segundo grau, acho que era motivo para comemoração, afinal fui elevado de posto, promovido, agora posso fazer o que quiser. Colar na prova não pode, da suspensão e dependendo expulsão; matar aula também é muito grave e causa os mesmos efeitos; bomba no recreio é crime; namorar no colégio não pode, já falei que não pode. Não, não! Você aqui de novo, vai tomar suspensão, você já tinha sido avisado que não podia. Pode falar quem quebrou a pia; você sabe os nomes dos que mataram aula, fale, estou esperando; quem pegou a bola, você sabe que é um patrimônio público. De novo, de que série é essa menina? Ô menino, já não dissemos que não pode namorar no corredor! Não, em nenhuma parte dentro do colégio. Você vai ser penalizado porque ajudou seu amigo a colar, você encobertou o que eles fizeram, então é tão culpado quanto; a fila da merenda é só para quem precisa; tomem conta dos livros que eles serão de outros alunos ano que vem; não responda; não tenha opinião. E coisas do tipo que não me lembro mais. Pronto agora acabou, terminei o tal do segundo grau, estou livre, vou ver o mundo, conhecer pessoas e espalhar meus genes. Calma, você tem que fazer faculdade, hoje todo mundo faz, e se não fizer você não vai ser nada na vida. Todo mundo tem que ter uma profissão. Qual vai ser a sua? Não, essa acho que não se perece com você. Essa não tem mercado, essa outra não dá dinheiro. Pronto, já escolheram então vamos lá, agora vai ser tudo diferente. Ô rapaz, para de conversar em aula; matar aula pode, só que te pego nas provas, e promessa é dívida; claro, pode colar, é só eu não ver, afinal o burro é você. Pode, pode comer o que quiser, só pense antes o que tal comida pode lhe causar, obesidade, artrite, celulite, conjuntivite, mastite, gonorreia, seborreia, gravidez e cólera; não delate os companheiros, só se for chamado na frente de um conselho de professores, aí pode, se não quem paga o pato é você; não explore as pessoas, a não ser em trabalhos de grupo, líder que é líder sabe aproveitar as capacidades de seus, digamos assim, liderados; trate os professores de igual para igual, só não queira que a recíproca seja verdadeira, eles são superiores mesmo, talvez se torne assim um dia, quem sabe. Pegou o livro, devolva, se não devolver: multa e dependendo, expulsão permanente das estantes empoeiradas; aprenda informática, mas não vire hacker; tire as melhores notas, ou morra tentando; a competição faz parte do mundo lá fora, acostume-se, ninguém vai passar a mão na sua cabeça, ninguém mais te protegerá; ah, o mais importante: finja que tem opinião, e opine sempre que puder, mesmo que não saiba do que se trata o assunto. E pensar que depois de todo esse ensinamento paro nesse exato momento e me pego em uma crise existencial, não sei porque isso sempre acontece comigo, também eu não valho nada mesmo. E você?

segunda-feira, 3 de janeiro de 2011



RETIFICAÇÃO

Sr. Neruda,
Como disseste em certa ocasião,
Acho que temos nosso canto nascido
Da solidão como castigo!
Castigo ou predeterminação?
Não seria melhor a solidão
Do que dividir o teto,
O amor,
Com Brutos: o manipulador?
Certas palavras nos cortam como faca
Despedaçam nossa alma,
Nosso futuro.
Você não é nada, nunca foi nada
E quer me levar para a mesma fossa de onde viera?
Morra, terra seca e estéril, morra
Em sua própria mesquinharia,
Em sua vida de ilusão,
Em seu consumo falido,
Em seu suporte sem sustentação,
Em seu próprio veneno. Morra!
Recebi uns cortes na mão ócio, por descuido,
Mas aprendi a desinfeta-las regularmente
Aguardando com paciência sua recuperação,
Sua cicatrização.
O tempo,
Só o tempo te mostrará
O quão competente é a vida que te cerca!
Isso se der para você enxergar de lá de baixo,
De lá do fundo do atoleiro fútil que cultivaste,
Boneca de porcelana empoeirada,
Isso se um dia deres conta de se enxergar,
De se ver no espelho e descobrir que nem reflexo conténs,
Por ser vazia:
Sem conteúdo.
Como admiro pessoas que transmitem inteligência!
Como admiro as que passaram por mim...
Meu canto, revolucionário Neruda,
Não nasce da solidão,
Nasce do sofrimento por sermos um nada
Por sermos puro e simplesmente
A significação da palavra
Incompetência!
(bem...
pelo menos esse é meu caso!)

domingo, 5 de dezembro de 2010



OLIVEIRA.

Ontem a senhora e majestosa
Vó pequenininha
Nos deixou...
Trinta e dois quilos foi
o que restou de seu corpo,
três trilhões de toneladas foi
o peso dos ensinamentos deixados
por ela...
Senhora de quase um século completo,
que vivia sem luz elétrica e com fogo
feito de lenha e estopa de sabugo; senhora
simples, pura e guerreira,
lutou por seus filhos em uma revolta
concebida no lar, numa época em que mulher
nada podia fazer...
Fez...
estudou os filhos
e deu-os o poder da escolha, a liberdade
de serem o que quisessem. Tal ato
mudou tudo, mudou o rumo pré posto de todos,
esse ato mudou minha vida, pois sou fruto
dos filhos libertos por ela...
Vózinha, o mundo hoje está triste,
foi um dia muito ardente, caloroso, quente,
abafado,
o sol nos mostrava que algo tinha acontecido,
que um astro aqui na terra tinha falecido!
E o sol que reinava com tanta força, fazia
para mostra-la o verdadeiro caminho do céu,
o seu céu,
pelo qual a senhora sempre rezou em sua cozinha
semiescura iluminada por um lampião a gás.
O sol minha vó, será sua luz,
a luz de seu Deus criador... vai,
vai e faça do céu seu lar
e leve contigo para esse lugar
a mesma alegria e ensinamentos que
aqui nos deixou...
Torne seu novo lar em luz,
em explendor... que saberei para onde olhar
quando precisar de sua voz
para me orientar...
Brilhe sua luz eternamente sobre mim...
Senhora!

quarta-feira, 10 de novembro de 2010



URGENTE

Assim é a vida,
Nos usa durante anos
E no final,
Que é quando mais precisamos dela,
Nos abandona!

Já busquei conforto em Neruda
E na eterna luta do povo latino
Contra o imperialismo,
Enquanto isso ela continuava se esvaindo
Pouco a pouco,
Dia após dia...

Pra que lutar tanto se no final somos abandonados
Dentro de um deserto escuro e apertado,
Vivendo em um estado de asfixia eterna
Usando uma roupa que não nos cabe,
Que nos aperta cada instante mais,
Por continuarmos a inchar e soltar gases
Até explodir nossa carne orgânica
Restando apenas os ossos
Que demoram, mas também somem de vez
Desse mundo que nos consome.

Tornamo-nos peça de museu a céu aberto,
Largado ao tempo
Para apreciação de vampiros fotográficos
Que nos arrancam
Pedaço por pedaço
A essência de nossa alma...

Como é difícil ver o tempo passar...
Como é difícil virar sucata...

Como é difícil abandonar...
O único fio de vida
Que nos resta.

Ainda bem
Que fui feito de ferro
E mesmo findo
Vou ficar por muito tempo,
Exposto ao tempo,
E aos olhos de todos
Que saibam o lugar
Onde me encontrar.

O deserto onde agora jaz meu corpo
Torna-se lugar de peregrinação
De pessoas que como eu
Não souberam,
Por alguma razão,
Que a vida
Era para ser usada
Sem restrição.

terça-feira, 28 de setembro de 2010



A PROUCURA DE UM NOME

Assisto a todo o letreiro
Depois que o filme acaba
Só para ver se encontro meu nome ou meu personagem por lá...
Como é difícil se encontrar naquelas letrinhas miúdas
E que sempre passam rápidas de mais...
Saber qual trilha sonora me acompanha, já desisti!
Perdi também as referencias de todas as vidas!
Que personagens somos agora?
Com quem contracenamos?
Somos somente coadjuvantes?
Sei que vale a pena sair para dançar sob a chuva tão esperada...
Pois a sequidão anterior sufocava e acabava com todo verde
Que pudéssemos imaginar,
Verde que morria por falta de água ou pelo fogo criminoso
Posto por mãos vacilantes e descontentes...
Acaba o letreiro,
E como cinza de fogo extinto
Pulverizo-me ao soprar do mais fraco vento
Que me arrasta em partículas insignificantes
Pra bem longe...
Para fora do meu alcance...
Destruindo mais uma vida fictícia
Que tentava vivenciar.

Fim de tudo, tela escura.
Hoje já nem temos a tecla de rebobinar:
Os sonhos é que são felizes por serem infinitos...

quarta-feira, 15 de setembro de 2010



UM SABOR DE VIDRO E CORTE

Corações amigos
Estávamos em pleno nascimento...
Corações latinos,
Corações irmãos
Hoje e Sempre...
Mil tons nos deram paz
E sabedoria
Para seguirmos em frente,
Cada um em sua vida,
Cada qual seu destino,
Destinos cruzados
Por amizade febril...
Cada um a favor,
Um por todos,
Todos por nós mesmos...
É sempre bom compartilharmos
Nosso amor,
Nossa luta,
Nossas conquistas,
Nossos sonhos...
Corações amigos...
Corações irmãos...
O Milton nos deu
O coração americano,
Perseguido e cansado...
Mas o agradecemos
Por termos a oportunidade
De sermos
Eternamente irmãos
No sangue
E na comunhão...
Bravios somos
O que juntos nos tornamos!

terça-feira, 14 de setembro de 2010



PASSAMOS POR ELA

A vida.
Como pode a vida nos mostrar
Que nada é pra sempre
E nos dar em seguida
Um pra sempre, maior – agarrar.

A vida.
Como pode a vida nos dar
A cada momento sem esperança
Um amor – mulher,
Uma única forma de amar.

A vida.
Como pode a vida ser
De forma tão rápida
Que não me deixa viver
O tempo suficiente pra te ter.

A vida.
Como pode a vida ensinar
Que o amor esta em mim,
Corroendo meu corpo
Pedindo por um pedaço do seu.

A vida.
Como pode a vida me trazer
A alegria de te ter
De suar no seu prazer
De viver por você.

A vida.
Que agora me ensinou a viver...
Viver você...
A vida,
Que a ti me levou...
Há de deixar...
Que contigo me deixe morrer...

quarta-feira, 8 de setembro de 2010


NA DÚVIDA

Sinto saudades de mim
Quando era sem querer ser.
Atualmente, não sou
E quero simplesmente ser.
Enfim...
Sinto saudades!

quinta-feira, 26 de agosto de 2010



UM ÚNICO MESTRE

É Ricardo,
O Alberto também é meu mestre!
“ Um homem comum,
Próximo à natureza, rústico
E ingênuo, desejando
Simplesmente ser”.
O que é difícil Alberto,
É somente ser nos dias de hoje...
Ser, por aqui não basta!
Mira.
Vivido em estado de bulling residencial,
Aprendi, na marra a ser um nada
Assim como queria ele, ou odiava.
(não posso mais saber!)
Vou largar tudo, desistir dessa vida
Que nunca quis pra mim!
Como devo ser melhor
Se não sei ser tal ser?
É...todos os seus medos tornaram-se
Realidade,
Implantados à força em minha
Alma...
Sou seus piores pesadelos...
E foste tu que me fizeste a mim!
(assim como sou).
Como então ser somente?
Ouvi certo dia de um dia quase tarde:
“Uma guerra nunca deve ser travada,
Principalmente se for com você mesmo!”
Difícil...
Tudo,Ricardo, deveria ser como as palavras de nosso mestre:
“ (…) Cada coisa é o que é,
E é difícil explicar a alguém quanto isso me alegra,
E quanto isso me basta”. (...)
“ (…) gosto dela (pedra) por ela ser uma pedra,
Gosto dela porque ela não sente nada.
Gosto dela porque ela não tem parentesco nenhum comigo”. (…)
Hoje pergunto a ti Alberto e Ricardo e a todos:
“ Basta existir para ser completo?”

Assim vou vivendo!
Só que...
Mais da metade das alegrias da vida
Um dia acaba...

quarta-feira, 11 de agosto de 2010



MUDA

Tempo curto...
Mudamos,
Mudamos para distanciarmos
Do que somos,
Ou de quem amamos?
Para onde foste?
Onde estas?
O que fez o mundo contra ti
Ou a favor?
Mundo imenso, superpovoado
E cheio de rancor
Para onde levaste este amor?
Recubra seus sentimentos,
Volte a si
Mundo infinito
E traga de volta
Para o labirinto
Que sou, o verdadeiro amor,
Que me embriaga
E me zonzeia por efeito de pancada
Nessa longa jornada
Que é a vida
Vivida e abandonada.
Nesse exato momento
Não sou senhor do meu juízo,
Estou perdido, sem rumo,
Nesse mundo aturdido
Por esse desagradável incidente
Que foi mal entendido
Por aquela estrela cadente.
O desejo foi de estar junto,
O que entendeste
Oh! Caixeiro-viajante dos céus,
Por que fizeste tamanha confusão
em relação a meu pedido?
Se o que pedi foi unicamente
Que trouxesse meu amor
Para perto de mim,
Que ela ficasse girando
Na orbita desse sol eternamente.
Astro surdo!
Rogo-te uma praga:
derreta-se ao entrar
em meu mundo!

segunda-feira, 2 de agosto de 2010



INTEGRAL

Certo que o futuro é insubordinado
E o passado ínfero,
Assumo o presente em pretérito
No momento
Que estás lendo.
O que ficou de nós?
Ficou?
O que escrevo fica,
Mesmo que empoeirado
No fundo de uma gaveta escura
E esquecida
(não mais aberta)
Mas fica!
Fica aos olhos de quem
As encontre.

Sem crer
Nem saber
De quem vieram
Por não as ter.
As palavras persistem
(antiquíssimas)
À frente de mim.

terça-feira, 13 de julho de 2010



CARIMBO BANIDO

A tinta tremula e borrada
Sobre a superfície de uma folha largada
É a simples impressão de um carimbo,
Que tornou certo dia
Em uma lembrança desmedida.
À distancia, parece mais fácil
Descobrir a peculiaridade
Da terra amada,
Mas ao retornarmos do exílio
De nossas próprias lembranças
Nos deparamos com a realidade
De que "somos ainda
Uns desterrados
Em nossa própria
Terra”.

quarta-feira, 30 de junho de 2010



O BEIJO

A tarde era fria de como tantas outras desse inverno recente , tinha sentido falta do sabiá que não limpava seu trailler regado à água e cachaça (ou seria conhaque naquele copo sempre por terminar?). O sol fazia a sombra dos bancos no chão da praça, marcarem três horas; os moleques praticavam seu balé diário atráz de uma bola de couro - velha, suja e meio murcha - com muita gritaria, parecia que não disputavam quem tinha mais destreza e intimidade com tal bola, e sim, quem tinha a garganta mais potente em freqüentes agudos.
No meio da praça, avistei um casal sentado em um dos bancos, não sabia ainda do que se tratava. Até o presente momento eles não tinham se dirigido à palavra e tão pouco olhares; cada qual olhava em sentido oposto girando a cabeça da esquerda para a direita formando ângulos de cento e oitenta graus , como se tivessem analisando e conferido se no terreno não existia predadores ou algum perigo proeminente. E foi assim que de repente... pluft! Os dois viraram um só corpo, eram como imãs de polaridades opostas coladas através da boca, o positivo não desgrudou do negativo durante os três minutos seguintes. Com a mesma rapidez que se juntaram se separaram (as polaridades tornaram-se idênticas?) e começaram a vistoriar o terreno novamente, sem nenhuma palavra, nenhum contato, nenhum olhar. Desconhecidos novamente.
Foi aí, que me ocorreu que isso deveria ser o famoso “ficar” que tanto escutamos hoje em dia, era isso, tinha feito a descoberta da minha vida: ficar era ser como imãs de polaridades opostas, três minutos depois, polaridades iguais e então... desconectados amorosos (como se existisse amor em tal ação). É melhor do que imaginava, não precisamos mais inventar histórias; paparicar; cortejar; mostrar o quanto somos inteligentes; treinar a arte da conquista; ouvir ladainha horas a fio e fingir que somos interessados por moda, psicologia, corpo celeste, vida alheia, sapatos, maquiagem e mapa astral, blá...blá...blá...blá...
Viva o ato de ficar! Viva o beijo adolescente: animal em intensidade e esquecimento.
Nos tornamos bichos novamente, os mesmos que grudam de costas um para o outro (depois de acasalar) e após três minutos não se lembram de mais nada, ou fingem que não:
- Ãhm, o que você disse?
- Ãhm, não disse nada.
- Disse não?
- Não.
- Ah, tá!
- Então tchau, me liga.
- Ok,Tchau... ligo sim...
- Té.

segunda-feira, 21 de junho de 2010



SONHO (ou prisão imaginária)?

Um dia de cada vez,
Assim me abstenho de mim...
O primeiro passo é assumir o vício,
(o risco)
Perdido em mim...
Tento dar um tempo para o coração
Parar de pensar e sentir...
Ainda há tempo pra tudo,
Para rever os erros
E recomeçar os sonhos,
Que a muito eram esquecidos.
Mentalizar os quadros pretendidos,
Recortando os papéis em memória de desejo futuro
Colando tudo em um cartaz,
(nunca imaginário)
Fixando-o na parede,
Transformando as figuras em desejo
E eterna meta de vida.
Em vida...
Vivendo
E sonhando sem sonhar.

quinta-feira, 3 de junho de 2010



ESPERANDO O IMUTÁVEL TEMPO PASSAR

Sempre estive do lado oposto de tudo que desejei.
Porque será que vim parar desse lado da margem?
Até onde me enxergava, estava no caminho certo.
Perdi meu foco, ou nunca o tive?
O desejar é muito poderoso,
Poder maior se combinado a ação,
Não sei se tropecei no desejo
Ou simplesmente esqueci a razão.
Preciso desabafar um pouco a vida.
Preciso procurar um sentido.
Preciso demais desabafar
A dor do meu peito,
As dores do passado
(vindas para o presente).
Preciso restaurar
Os rumos a seguir...
Meu deus,
Que rumos?

terça-feira, 18 de maio de 2010



AMÉRICA MAIÚSCULA*

Ímpios,
Somos todos ímpios...
E como somos pequenos...
É com um nó na garganta
Que vejo a dor do meu povo
Que habita essa América colônia,
Dor que parece não ser minha
Pois a vejo em uma tela de projeção
Ou em algum sonho que tive
E me esqueci ao passar do dia.
Se meu idioma fosse o mesmo
Lutaria armado por esse povo?
Acho que não.
Porque nada fiz por meu povo,
Pelos homens de minha língua...
Preciso de um ideal.
Quanta injustiça,
Quanta falta de amor social.
Que pena que só agora,
Aqui do alto,
Depois do pó ao pó
É que percebemos
Que não existe diferença,
Que não existe classe.
Existimos como um só povo
Uma única América unida
No suor de cada indivíduo
Desse continente mais garrido.

Assim como compartilhamos nossa colônia
Compartilhamos nossa alegria...
Terra maiúscula!


*Homenagem às notas de um viajante de Ernesto “Che” Guevara.

segunda-feira, 10 de maio de 2010




PEQUENO MUNDO MENINO

Quando eu tento falar
Minhas ideias ultrapassam
A velocidade da fala...
Me calo!
Em outro momento
De puro regalo
Penso em mim quando menino
Sei que a pureza ainda não extermino,
Vivo em paz e com vida tranquila...
Até onde posso expandir meu mundo?
Esse pequeno mundo,
Bola que cabe na mão
E desaparece em imagem,
Terra magnifica em vastidão...
Pobre menino dividido em três estados,
Viajante de longas estradas
Ganhaste amores por onde passaste,
Perdeste amores de onde partiste.
Onde estarão as flechas destes amores
Hoje cravadas?
Pequeno menino
Sempre achaste que o mundo
A ti pertencias,
Pobre menino que descobriu
Tarde de mais,
Que nem seu pó merecias...
O mundo não te cabe
Miúda criatura
Desmanche logo esse sorriso
Que nos mostra formosura
E esqueça-te da terra,
Dos amores
E de qualquer criatura,
Volte para seu tempo
- seu espaço sem ternura -
E proteja-se dos deuses
Que o querem transformá-lo
Em um exemplo de alvura.
A sua inocência
É o ponto de convergência
Entre a maravilha da natureza
E a maldade do homem
Em seu maior grau de grandeza.
Para que não haja
O fim do mundo
O que nos falta é humildade
Amor e muita, muita
Gentileza...
Dorme menino,
Dorme e sonha
Com seu maravilhoso mundo
Sem qualquer tipo de avareza,
Mundo de sonho esse
Que após acordarmos
Nos pegamos com uma tristeza
Por sabermos que nada mais nos resta
Para alcançarmos a paz
Em tamanha grandeza...
O menino dorme.
O homem dorme.
Os deuses dormem.
Só quem não dorme é o mundo
Cansado de carregar tanto peso,
Tanto sonho,
Dessa população de vagabundos.
Homens e deuses se transformam
No último olhar
Do pequeno menino moribundo:
Fecham-se os olhos...
Cessa-se a respiração...
O que resta é o pó do mundo
No mais vasto
E infértil chão...

sábado, 1 de maio de 2010



POR UM INSTANTE

De...
va...
gar
minha vida caminha,
não corre, anda,
não vira,
não muda.
Mudo, rastejo
de...
va...
gar
em cada caminho,
não escolhido,
sozinho.
Devo
Va...
gar
pelos cantos do mundo
encolhido, cabisbaixo
moribundo!
De...
va...
gar
Penso, vivo e viajo
pelo caminho mágico
que é a vida,
vida quase que um sonho,
só não o é pois nunca a vi
como fantasia,
porém ainda não morri!
Será,
será que
me tornei um asno
por assim existir?
Vou me prevenir
"pois morto é quem quase vive"
e em matéria de morrer
morro absurdamente
depressa!
A felicidade presente
em todo resto
de dia,
deveria ser vivida
eternamente
de...
va...
gar,
porque cada dia
me deixa sem
medo
de me enfrentar...
enfrento-me paralelamente
ao mundo
estupidamente
de...
va...
gar.
Sendo assim
hoje e sempre,
cautelosamente,
anseio viver
prazerosamente
em outro lugar.

Hei de ser
a criatura
que cria
e atura
o mundo
e...
ter...
na...
mente
de...va...gar.

segunda-feira, 26 de abril de 2010



ESPERA

Chegou a sua vez?
Até agora nada.
Somos peixes fora d'água,
Água que cai
Como véu de noiva
Que chora no altar
Que viveu a esperar
E que nunca soube
O que é amar.

E se for sua vez?
Até agora nada.
Somos flores no bosque,
Que se iluminam ao luar
Como a cor de um terno
Do noivo no altar
Que viveu a reclamar
E que nunca soube
O que é amar.

quarta-feira, 14 de abril de 2010



UNIDADE SIMPLES

Ontem o sol estava em Áries,
Os raios deixaram o dia mais belo,
E tive o desejo de desejar tudo, tudo mesmo
Ao contrario de tudo que desejaste, para mim
Um dia!
Vontade de retribuir ao dia, tudo que me dera,
Sem nada em troca.
Vontade de existir em cada dia, para o dia!
Ontem o céu estava em Áries,
E fez com que as estrelas se unissem em pensamento
Formando um desejo único de paz, amor e felicidade!
As estrelas cadentes se desintegraram em sonhos,
E os sonhos ainda estão presentes em todos os
Olhos que as veem.
Dê-me, estrela cadente o que te peço!
Torne todo dia de Áries em eternidade,
Pois Áries é força, amor e pura curiosidade.

segunda-feira, 29 de março de 2010



PERDIDOS

Alguém me diz o que fazer:
Devo sair da selva
E escolher uma das pedras
Que se equilibram na balança.
Qual pedra retirar do prato dourado?
Ficar entre as pedras:
Branca ou Preta...
A luta pela libertação do mal
E o contra-ataque de clausura do bem.
O caminho que percorremos nessa escolha
Para alcançar o premio luz,
Não se justificam os meios?
Devemos escolher o caminho
Ou já nascemos pré-destinados a seguir
Qualquer um que seja?
A natureza Humana
Ou Divina, nos da o livre arbítrio,
E se nos dá, porque tantos testes?
Fomos feitos com defeitos...
Não somos mais a semelhança?
Nossas ações nos transformam
No que seremos ao final de cada tempo?
Somos homens feitos pra passar por provas,
Só assim nos tornamos melhores ou puros?
E os animais... o que provam,
Provam cada vez mais
Que somos todos irracionais?
Somos uma coleção de escolhas seletas,
Ou somos nós mesmos as pedras
Que se equilibram suspensas no ar
Dentro de uma esfera linda e azul,
Somos as pedras que nos matam
E nos renovam?
Ou apenas somos
Os animais que não
Sabem nada de mais,
Perdidos dentro de um planeta
Que gira perdido
Dentro de um espaço gigantesco
E sem fundo?
Ainda assim para vivermos
Depois da morte,
Precisamos de predileção...
E você...
De que lado está
Do anti-morte
Ou do pós-vida?

sexta-feira, 26 de março de 2010



FIM DA ESTAÇÃO

Pela primeira vez, te vi
E o que vi, não foi bom
Pois te vi com o coração
Fazendo perder o que de mim
Restava de razão.
Razão paradoxal
Como sua figura estática
Em frente a uma porta
De uma casa já morta.
Hoje que te vi
Percebi que de ti
Restou apenas um pouco de mim,
Morto e estático,
Sem razão
Mas com amor no coração.
O que ocupará o lugar
Que outrora fora meu
Lar?
Os filhos que viriam
São agora frutos da imaginação,
Foi tudo, um engano de sensação?
Fora, fora com tudo isso...
Deixe as lembranças como estão,
Bem no fundo da alma,
Cravada como uma faca
Em cada coração.
E por que diabos
Não paro de pensar nisso:
É amor ou pura ilusão?

quinta-feira, 25 de março de 2010




VIVO SONHO

Todo dia ela me fala
Que tudo vai acabar.
Durmo...
Na esperança de não acordar.
Que o dia se transforme em noite
Para que eu possa parar de escutar
Que tudo vai acabar.
Sem suportar
Tento um acordo
Com o tempo,
Que ignora minha súplica.
Nada para o relógio...
Acordo...
Novamente para o dia
Com esperança que a alegria
A transforme
E não a deixe falar
Que tudo vai acabar.
A vida devia ser um sonho!
Um sonho para se sonhar:
Que esse dia nunca chegue
Que as palavras nunca se proclamem,
Acordo para o dia
Sem nunca acordar...