segunda-feira, 7 de novembro de 2016


O tempo,
(o espaço)
Uma janela,
O ser ausente,
Uma luz
Fortificando a esperança
Que na alma produz
A sensação de trazê-la pra perto...
Tempo, moleque inquieto
Que transforma os sentimentos
Em saudade ardente
Neste copro presente.

sábado, 6 de agosto de 2016


Não enrole apertado,
Siga eternamemte
A natureza elíptica do fio
E guarde-o sem medo.

segunda-feira, 19 de outubro de 2015

Instantes...


A luz que te chama

Apaga a chama

De seu viver

Instantes antes de morrer...

quinta-feira, 20 de agosto de 2015


PEDIDO E FÉ.

Beije minha mão,
Curve sua cabeça
Não olhe nos meus olhos
Jamais...
Desfaça-se desse anel
Que aprisiona
Nossa liberdade...
Pulemos os muros
Que nos cercam
E nos agonizam...
Olhemos para o céu
E peçamos juntos
Para sermos apenas
Dois animais mortais.
Roguemos:
Transforme-nos ó senhor
Em bichos que se amam

E nada mais...

segunda-feira, 20 de abril de 2015

MENINO



MENINO

Ei...

Menininho pequenininho,

Despeça-se de mim...

Pirlim...pim...pim!

Pobre de mim,

Não me resta mais nada!

quinta-feira, 12 de março de 2015




AMANHECER

Aqui de onde vejo, tudo é mentira.

Sua vida dividida,

Essa cidade, que um dia, já foi sua.

A fidelidade do cachorro achado na rua.

Essa casa, que não tem dono.

Essa cama quilométrica que separa mundos.

As carícias e olhares de falso afeto.

Os barulhos que acordam o dia.

O dia de sol que brilha aí fora.

As promessas ditas antes do altar.

Essa mulher completamente estranha,

Cada palavra lançada de sua boca.

Toda conversa ao telefone com sua família.

A mesa posta para o café de todas as manhãs.

Essa sua simpatia...

E a maior e mais grave de todas as mentiras

É você, simplesmente você,

Que não faz nada para mudar

Essa situação de abandono.

Covarde!

domingo, 1 de fevereiro de 2015


SER

Ser
Sem
Sentido,
Sentindo
Apenas
Osso
Carne
Pele
E abandono.

Ser,
Sentindo
A falta real
De um sonho.

Ser
Sem
Rumo,
A sina de
Um estranho.

Sem
Ser
Nada,
Um espaço vago
Sem tamanho.

segunda-feira, 1 de dezembro de 2014

REMOQUE



REMOQUE

Nenhum verso feito em dezembro.
Apenas o nascimento de uma prosa
Que já dura 41 anos...
O verso é o pouco que diz tudo,
A prosa, mesmo longa,
Não diz nada...
Por que, por que meu Deus,
Não fizeste nascer verso
Em dezembro
De mil novecentos
E setenta e três?
Nasceria,
No décimo quinto dia
Desse mês natalino,
Neste ano divino,
O ser soneto,
A pura perfeição
Dos catorze versos
Feitos em duas quadras
E dois tercetos finais.
De título leve e acertivo:
Remoque.

terça-feira, 9 de setembro de 2014


SOMBRA

Assim como nós,
É a noite
Linda...
Porém como ela
Todo santo dia
Finda.

É uma pena esse dia
Ser tão pequeno
Para não nos darmos
Nem um pouco
Bem...

terça-feira, 5 de agosto de 2014


DELÍRIO

Carbonicamente hediondo,
Lavando pseudos filhos
No álcool,
Escuto versos Augustos
Sentindo-me alto.
Saio de meu corpo por segundos
Com meus olhos moribundos
E minha mente besta.
O único movimento que conheço
É o movimento de minha cabeça
Cambaleante para os lados
Procurando desesperadamente
O que comer...
Imagino seu corpo ao meu lado...
Viril,
Procuro no máximo dos absurdos
Lá no fundo do meu copo,
O seu corpo nu.
Com um afago imaginável
Rasgo-te em mil pedaços
E entre meus dedos raivosos
Esmago-te como uma massa
Feita de suor, lágrima e
Geleia molecular...
Sua ameba insignificante
Você se tornaria um nada
(novamente)
Seria o fim do seu mundo
Na virada de mais um copo
Por minha garganta a baixo.

sábado, 7 de junho de 2014

SECO SOLO



SOLO SECO

O que é minha mão saindo
Do chão
De uma terra seca, sem amor
Sem água, sem razão?

O que é nossa mão saindo
Do fundo
De um lago, sem amparo
Sem água, sem renovação?

Esse é nosso futuro?
É disso que precisamos?

Assim trilhamos o caminho do absurdo,
É para isso que caminhamos?

Não sei se morro sozinho,
Ou se juntos estamos!

quarta-feira, 7 de maio de 2014

ACORDADO



ACORDADO

Sim, sim estou no meio do mato outra vez,
E sinto novamente que esse é meu lugar,
Vim aqui pra viver ou morrer?
Só sei que esse é meu novo lar.

A leveza que em mim encontro
É uma nova sensação,
Meus sentimentos antigos, escombros
Dos restos de um amor, a negação.

Agora, completamente embriagado
Queria estar são,
Nu, ao seu lado.
                                                        
Descubro indignado,
Que sou homem sem nenhuma paixão
Que vivi a vida inteira sonhando acordado...





terça-feira, 1 de abril de 2014

LINHAS QUE NÃO SÃO MINHAS


LINHAS QUE NÃO SÃO MINHAS

Se eu não existisse,
Que mente e mão
Estaria com a razão
Nessas linhas que não entendo,
Que não são minhas?
De quem seriam essas idéias?
De quem seria esse canto?
O frio me castiga.
O café me aquece como um manto.
Não aguento mais o peso da pena,
Solto-a e adormeço
Em uma leveza plena.
Não sou o mesmo
Que era antes de prosseguir
Sem persistência,
Pois agora sem mente
Nem mão ou razão
Desapareço, extingo-me.
Deixo-me livre
Para viver
E seguir em outra direção...

terça-feira, 4 de fevereiro de 2014

DÊ UMA VOLTA PELO LADO DE LÁ



DÊ UMA VOLTA PELO LADO DE LÁ
- é onde fica nosso drama, nossa dor -



Se minha vida fosse escrita em uma folha de caderno
Como seria projetada cada história em suas linhas?
Como as páginas seriam alinhadas, numeradas?
E se junto com as palavras,
Fosse desenhado em cada canto direito
Da parte inferior de cada página,
Em cada folha,
Um desenho em movimento
Que fizesse um filme
Quando as folhas fossem passadas
Uma a uma
Bem rapidinho, sem escolha.
Que animação eu seria?
Filme mudo, se não fosse o poema?
Minha história solitária receberia um Oscar:
O curta do ano!
Produção independente de um país desconhecido.
Ninguém no mundo sabe de onde realmente sou,
Onde estou...
O curta seria pura lágrima de uma vida cansada
De procurar o que não se acha
Na frente do próprio nariz.
E como procurar?
E como se encontrar, feliz?
Já cansei de ser quem sou...
E minhas angustias já transformam esse curta
Em um longa francês, sem diálogo...
(complexo)
Me perdi, 
Nem sei mais quem sou...
Torno-me guardador de sonhos
Nem todos bons pra mim,
Mas os guardo, enfim:
Já chorei de mais...
Já sorri de mais...
Me lembro de cada detalhe que abandonei,
É como se o vento soprasse as folhas aleatoriamente,
Suavemente,
Movimentando-me,
Separando-me,
Transformando cada sorriso meu
Em ruga no canto dos olhos:
Sou minhas próprias rugas
Enquanto a boca de outro sorri.

segunda-feira, 9 de dezembro de 2013

ESSE NÃO SOU EU


ESSE NÃO SOU EU

Não sou o que queria ser.
Não sei se foi minha culpa,
Ou culpa do mundo que nasci.
Na dúvida, agora, de novo
Meu dia não nasce por igual,
Dia cheio e gasto,
Dia cego,
Perdido entre o início,
O meio e o
Até que enfim.
Me perdi assim,
Longe de mim, de minhas idéias,
Do fim que quis um dia
Pra mim.
Nesse silêncio nem vi você chegar,
Nem vi você sair de novo...
Dia longo, fique longe do que quero,
Porque eu no fim,
Quero viver sem escolta
Dividida entre você e  
O pouco que resta entre a gente...
Viver sem aquele pedaço de mim
Que pudesse aproveitar
Para amar o resto de ti.
Deixa pra depois...
Deixa pra depois...
Vamos esperar piorar...
Vamos esperar nossa música acabar...
Deixar nossa memória se acabar,
Pois o que queríamos era descansar...
Deixa pra lá...
Dessa forma,
Nossa memória se foi,
Nossos dias se foram
Nossa graça se foi...
Sem graça caímos
Como os dias caem
E nos esquecemos de tudo,
Como o dia se esquece
A cada noite que começa
Que no dia seguinte
Somos nada outra vez.

sábado, 2 de novembro de 2013

DOIS MEIOS



DOIS MEIOS

Metade de mim,
Sou nada.
A outra que me resta,
Assim como os homens,
Não presta.

segunda-feira, 7 de outubro de 2013

MEDÍOCRE


MEDÍOCRE

Todos convertem ao Natal,
Transmudam-se no carnaval,
Em abril, torna-se normal:
Simples e obsoleto animal.

O ciclo se repete ao final.

quinta-feira, 12 de setembro de 2013

A ONDA E O VENTO


A ONDA E O VENTO

A rocha e a onda,
Minha vida se resume
No simples movimento das águas
Ao encontro da pedra imóvel.
A onda e a rocha
Quem muda com esse choque?
E com o próximo,
O outro,
Mais um,
A rocha imóvel já não é a mesma.
As ondas sempre são diferentes.
Sem margem de erro
As ondas moldam o mineral
Tornando-o ausente
Qualquer perspectiva
Natural.
A rocha e o vento
A historia se repete
Mas como o vento é suave
A rocha tem que ser macia
Se assim não o fosse
Nada mudaria.
E nós,
Como devemos ser,
Nesse mundo de ventos
E ondas?


terça-feira, 2 de julho de 2013

O Fim do Amor Próprio.



O FIM DO AMOR PRÓPRIO

Sou um Brás Cubas
Por não saber se a vida me coloca obstáculos
Ou se eu os crio por puro complexo e falta de noção.
Cubas, por viver ancorado em uma vida de parasita social.
Cubas, por ser mesquinho.
Cubas, pelo fato de ser uma pessoa de péssimo caráter...
Cubas, por ser bacharel medíocre...
Cubas, por ser burguês mimado...
Cubas, porque minha família não me faz melhor...
Cubas, por não ter valores adquiridos em baixo tom...
Cubas, por viver uma vida vazia ancorado em um passado irreal...
Brás, por servir de crítica a uma sociedade...
Cubas, por ser um emplastro...
Sou Brás Cubas,
Por já esta morto,
E isso ninguém pode tirar de mim...
Será que tens a real compreensão do que tenho dito?
Será que eu,
Não sou você?

Assis que me perdoe por essa vã comparação!

sexta-feira, 7 de junho de 2013



REVIRAVOLTA

Diz o pobre homem
confinado no lar
contando os segundos
para começar a amar:

Passo o dia
- passo frio-
de cara amarrada
para essa imbecil.

A revolta é tanta,
e por falta de conversa,
quando ela passa e olha,
nada contesta.

Com uma mulher assim,
melhor ficar só – à procura de mim.

Mundo infernal torna-se o lar:
Maldita hora em que resolvi me auto-analisar ...

quinta-feira, 9 de maio de 2013



SONS

Música,
Única
Dor
Que já vem com rumor.
Música
Que faz lembrar
De um amor
Que um dia
Tentei esquecer.
Que pena de mim,
Um amor assim
Nunca se esquece.
Um amor assim:
É apenas
Música,
A única
Dor
Que já vem com cor,
Sinônimo de
Amor.

terça-feira, 2 de abril de 2013



SER HUMANO...

Pinóquio é um caralho!
Quanto mais cara-de-pau e mentiroso,
mais duro e vigoroso
é o nariz grandioso
do futuro humanoide
reciclado.
Imagem e semelhança
De quem, mesmo?
Não olhe somente
para os lados!

terça-feira, 26 de fevereiro de 2013



ISOLAMENTO

A torneira da pia pinga
Pinga
( )
Pinga
( )
Pinga
( )
Pinga
Ô torneira
Que desencadeia
Uma tempestade de memória...
Perco-me em meus próprios
Lamentos...
Em melancolia, tornam-se
Todos os meus movimentos...
Pinga
( )
Pinga
Iminente momento
Em que toda lembrança
Acumulada no fundo da pia,
Foi liberada.
Com o puxar do tampo
Cada memória foi-se,
Todo meu próprio lamento,
Pelo ralo abaixo
Desmanchou-se.
E assim como num passe de mágica
No instante segundo,
Apagou-se o encanto
De todo o meu mundo.
Pinga
( )
Pinga
( )
Pinga

sexta-feira, 4 de janeiro de 2013



MORMAÇO NOTURNAL DIÁRIO

O barulho da chuva no telhado
alivia a dor causada pelo calor ardente
que matou o dia de desidratação.
Agora à noite tudo é diferente,
o alívio no peito vindo com a brisa que sopra saída não sei de onde...
A chuva é um alívio para todos...
pena que não tem o poder de renovar todas as vidas...
Vindas águas...
águas vividas,
são bem vindas as tardias águas de novembro,
que atualmente cai sei lá em que mês... quando e onde!
A vida tinha que ser vivida como água telhado abaixo...
sem retorno, em um único momento finito.
Cada lamento de calor teria que ser obrigatório a estadia,
de um dia,
de baixo da chuva que hoje custou a cair...
cair.... cair... caindo...
O que não posso apanhar com minha mão,
posso aprisionar com minha imaginação,
isso se a dor em meus olhos permitir dizer adeus,
sem assim o dizer.
Será que aguentaria essa dor mais vezes?
Fora de minha mão,
como dor alheia de corpo e presente em alma...
Tudo que eu queria e não fiz,
tudo fora de minhas mãos...
tudo do lado oposto: espelho as avessas...
Seria eu o reflexo convexo do que quis?
Sou um disco que roda ao contrario,
só quem conhece a faixa profundamente é capaz de entender o que digo nesse exato momento...
uhpipuhebpiuhrfpqiowfpqowepioeh xuqwoe pdhaqoiwefhguqhwef,........
E quem me conhece profundamente?
Nem eu sei quem sou!
Sei lá pra onde vou!
E para que pensar em quão bonito pode ser a humanidade,
- o que não creio que seja -
se lá fora continua a chover,
a lavar a podridão do chão imundo?
Vazante humana...
Será que banho de chuva lava o caráter, a alma,
Os micróbios?
Desde o início dessa prosa milongueira a chuva cai,
desde o início de nada, a chuva cai!
E a noite lá fora continua envolta em sua tristeza mórbida.
Noite sábia!
Todos que esperam a chuva,
Todos que vivem e sobrevivem na noite findam.
Assim como a noite,
finda todo santo dia!

sábado, 1 de dezembro de 2012




GATILHO

Qual o ponto de divergência das vidas que abri mão para ter essa que escolhi?
Qual o gesto, o pensamento, a atitude que muda tudo?
Qual a diferença em nossas vidas se os “SEs” fossem alterados?
Se...se...
Se todas as cervejas que fizessem pensar, fossem esquecidas,
Se certos enlaces não deslaçassem...
Se as promessas não fossem cumpridas,
Se toda oferta tivesse sido recusada?
Se todo pretérito fosse esquecido?
Se a desconfiança não tivesse sido herdada...
(virtude, vício e arrogância)
E se tudo tivesse sido diferente?
Toda música escutada,
Toda conversa propagada,
Todos os olhares não percebidos,
Todos os sonhos sonhados e não vividos,
Todos os lugares visitados, vazios...
Todas as coisas descobertas e esquecidas,
Todos os irmãos conhecidos e escolhidos,
Todos os não escolhidos, por serem de sangue,
Todos os bares perdidos,
Todas as risadas bêbadas,
Toda cumplicidade,
Todas as críticas,
Todas as dúvidas,
Todos os erros,
Todos os medos,
Toda confiança...
E se tudo tivesse sido diferente?
Todo beijo,
Toda foda,
Toda confraria,
Todo ato de amor,
Toda ajuda,
Toda confidencia,
Todo porre,
Toda lucidez,
Toda cegueira,
Toda loucura,
Toda briga,
Todo amor
...
(que nunca é único)
...
E se tudo tivesse sido diferente?
Estaria eu,
Aqui,
Escrevendo essas palavras sem sentido
Para ninguém ouvir?
Vivendo à sombra de minha maturidade...
Que inocência...

segunda-feira, 13 de agosto de 2012



PÉS BULIÇOSOS

Dez maneiras de amar.
Dois motivos que me fazem desabar.
Pés, que te trazem para mim.
Pés, desinibidos.
Pés, proibidos:
Sempre de fora,
Que te servem de escora.
Pés,
Que não me dão bola.
Que te levam embora,
Para longe de mim.
A distância,
Será nosso fim.

terça-feira, 10 de julho de 2012



RECEITA (-TE)

Se,
Como vi agora a pouco,
A felicidade se desse através de um comprimido
Estaria eu, fadado eternamente a não concebe-la,
Por não toma-lo?
Abstenho-me da felicidade por falta de coragem?
A felicidade é desejo clínico de qualquer pessoa?
O ministério da saúde adverte:
Em caso de persistência dos sintomas um médico tem que ser consultado...
Quem seria o médico da felicidade?
Qual a prescrição das pílulas?
Seriam diárias?
Mas... mas...
Quem é feliz todos os dias?

(Quem sofre desse mal?)

Prefiro ser eternamente eu,
Que ser um bôzo
Drogado e risonho...
Construído para alegrar e agradar
Os espectadores
Desse show de horrores
Que é o palco terrestre.

Más que bozerra!

quarta-feira, 13 de junho de 2012




AOS 70

Quando as ruas ainda eram de terra...
Quando o transporte era feito no lombo animal...
Quando se plantava comida para o próprio sustento no quintal...
Quando o rock ainda não existia...
Quando escutava-se: love me tender...love me sweet...never let me go...
Quando o mundo saía do terror da segunda e não derradeira guerra...
Quando o futuro amor ainda vivia de lavrar terra...
Quando o pai, pré artista pai, ainda registrava as pessoas...
Quando a mãe, sempre linda e amada, se torva a primeira Miss...
Quando o presidente que causava orgulho, gerava o nome de um irmão...
Quando todos sonhavam em ser felizes e viviam na mais perfeita união...
Em uma casa à rua Marechal Deodoro, que ainda possuía duas vias de mão...
Viviam-se os anos dourados...
Os anos incríveis...
Os anos inesquecíveis...
Em 42 surge o x de minha futura germinação...
Em 42 surge sua própria vida.
Duros anos futuros a seguir, família unida à procura de um final feliz.
Casa-se primeiro, a irmã do meio,
E muda-se para a capital Rio de Janeiro...
Casa-se logo depois a primogênita e vai-se embora de lenta jardineira
Levantando a poeira
Até Carmo do Paranaíba, cidade do agreste mineiro,
Viajando sozinha ao encontro do amor que lá residia,
Mudando o rumo de sua vida, indo à procura de sua história...
História esta que aqui me encaixo, por ser fruto do tão orgulhoso enlace...
Vida passada, aproveitada, mudanças frequentes que deram educação,
Amor e conhecimento a repassar para as futuras gerações...
Hoje agradeço a sua felicidade vivida nos anos dourados por terem gerado minha Vida...
Assim como devo aos deuses que contém a sabedoria da natureza,
Devo a ti humana, Senhora Imaculada,
O amor e a instrução que me tornaram no que sou,
Sou hoje a concentração de vários pedaços pulverizados por ti,
Pedaços que farei questão de semeá-los à eternidade...
Viva os seus para sempre 70 anos...
Relembre hoje todos os seus dias de criança, sem sapatos e comida regrada,
Até a querida avó que se tornastes.
Viva,
Viva minha mãe para sempre amada:
IMACULADA.

quarta-feira, 2 de maio de 2012


A TELA DE TODOS

Tenho vontade de pintar. Sinto que posso criar coisas incríveis, minha imaginação imagina que posso romper qualquer barreira, as cores se misturam em minha mente, meu daltonismo se cura, a combinação de cor pare nova cor. O quadro está diante de mim, pronto já tenho milhares, terminado não tenho nenhum, também quadro não se termina, sempre fica a acabar, assim são minhas idéias, minhas vontades, meus desejos. Tenho que um dia pegar no pincel, esquecer tudo, o medo, a insegurança e começar a traçar a primeira linha, torta que seja, mas que se mostre decidida e contínua. Fujo então do quadro mental para desenhar a vida material, que como a tela não terá fim, apenas um começo, um meio... enfim...
Fico pensando como seria bom sujar as mãos de tinta, colorir os calos doloridos, errar com facilidade, pintar por cima, mudar a paisagem. Facilidade, é a chave de qualquer felicidade, de qualquer momento de criação, facilite, feche os olhos, se veja fazendo, faça! Olho para minha mão toda colorida, sinto a frieza da tinha, o cheiro de química, o enrugar da pele ao secar do acrílico. Como é bom deixar de sonhar e começar a pintar.
O pano já tem fundo, formas tridimensionais, erros propositais, cores berrantes, manchas errantes, cada hora num tom tornam-se parte da figura, murmuro: então assim é a vida!
Cada certo se borra um errado? Se na vida acertarmos a metade e errarmos na mesma proporção o quadro ainda será belo, com manchas itinerantes, mas ainda será lindo. A moldura que não deve ser colocada, deixe que tenha forma própria a bela tela da linda vida.

sexta-feira, 13 de abril de 2012



RASCUNHO DE PRÓPRIO PUNHO

Me salta da mão a caneta que não me deixa escrever o que quero,
minha raiva é tanta por essa mão que se acha santa.
Queria eu me desvincular dessa maldita ideia!
Sentir dor com uma caneta na mão devia ser crime ou sacrilégio!
Traiçoeira tinta preta
que se arrasta no movimento de minha mão direita,
morre ou mata minha imaginação...
mente podre, mão mole, tinta mulata,
cheia de preguiça depois do gozo suado
que é a frase pronta no papel agora usado...
É como soar o sôo do sino da tarde … às 1:43 da madrugada...
Irritantemente adiantado, errado, incerto...
Me deixa pensamento fragmentado!
Isso mais parece pensamento de porra acumulada...
Inspiração é o caralho...
Sem criatividade e vontade de aprofundar nos pensamentos
(DE VERDADE)

Vou-me,
pois já é tarde.

quinta-feira, 8 de março de 2012



PALAVRAS

As palavras não são suficientes...
Eficientes, são os ensinamentos que elas nos trazem...
Ausente de sentimentos passo por elas...
Reluzentes, são os ecos ressoados vindo delas...
Refulgentes, são as ideias complexas mencionadas por elas...
Alucinantes, são os versos combinados em ritmos frenéticos saído delas...

As palavras são insuficientes...
No relato do que realmente somos,
Dentro de cada um de nós mesmos.
Nosso interior é enigmático,
Assim como as palavras
Que nos tentam explicar o inexplicável...

Ambos, palavras e interior
Insuficientes...
Ausentes...
Alucinantes...
Ávidos por nada...
Olvidados...

Faltam-me palavras
Alucinantes que buscam mudança...
Mas as palavras são imutáveis...
O que muda são as pessoas que as usam
E não as entendem...

Pobre das pessoas sem palavras.
Sem nada.

quinta-feira, 2 de fevereiro de 2012



NO BRILHO DOS MEUS OLHOS

Sempre sonho
Com você.
Porque nunca
Me vê ?
Vejo seus olhos,
Atrapalho seus cabelos,
Mordo sua perna.
Estou sempre atrás dela.
Olho para o alto.
Me espanto no ato.
É seu sorriso,
Mais lindo que sempre.
Abro meus olhos
Tudo se clareia,
Cabelo, boca, seus olhos...
De repente Sumo.
Somes também.
Um clarão me cega...
Já não existe ninguém.
Decido então,
Não mais acordar.
Durmo.
Para nunca mais despertar.

sábado, 7 de janeiro de 2012



BEM VINDO FIM DO MUND0

Vida estúpida que nos leva a um único caminho.
Onde nos levará o caminho da vida?

Vida... frágil e duradoura
como as linhas de uma pintura rupestre,
fabuloso desenho esculpido em uma rocha,
traços trêmulos e desgastados
esquecidos, de lado,
em um sítio arqueológico qualquer
no centro do árido piauí...
Lugar que já fora mar
hoje é seco e tedioso,
Poeira pura,
resto do fim do mundo passado.

Vida... que nos incinera,
como se fossemos uma única tocha de fonte de luz.
Vida,
Com que brilho me iluminaste?
Que presente trazes à minha porta?
Que parte me cabe nesse mundo?

Será pura racionalidade
o que o homem irradia?
Vadia!

Acabará por ser única,
não haverá outra dor
somente a dor do fio frio da navalha
no punho fino,
o puro e simples corte do
sacrifício de cometer o suicídio.

Fim do corpo, perpétuo escravo
da luz...
Sorte na viagem...
Adeus!

E no chão abaixo de mim
passo o mata borrão
em meu sangue espalhado,
Para que não haja dúvida
na escrita do que fui.

sexta-feira, 2 de dezembro de 2011



SECA

Acordar...
Não sonhar com nada,
Não querer nada,
Não produzir nada,
Não ganhar um centavo sequer.
Dormir...
E morrer novamente,
Dia após dia.

sexta-feira, 4 de novembro de 2011



MÃOS, OLHOS E MENTE

Prefiro minhas mãos,
Minhas lembranças
E muita, muita
Imaginação...

Aqui no meu mundo,
Posso ser
E querer
E ter
O que desejar...

Até que os nervos
Entrem em colapso
De relaxamento e de gozo
E o corpo comece a ejacular
A verdade na cara desse mundo
Real que não vale nada...

Mundo imagem e semelhança
De puta no cais do porto
À espera de uma nova tatuagem
Com gosto de fumo e de sal
E cheiro de maresia.
Tudo por uns trocados que não valem nada!

Escarro em tua cara,
Ó mundo,
Por ter me feito acordar
E me trazido de volta a realidade
Desses dias que me cercam e
Me aprisionam...

Puto mundo
Vai-te embora e me deixe em paz,
Sua realidade já não
Me reflete
Mais!

sexta-feira, 2 de setembro de 2011



AGOSTO

Sua voz ao telefone me
Irrita...
Mas é melhor que o vazio
Causado pela falta
Dela.

A estática constante do telefone preenche
Meu tempo de espera...

Vazio e irritante é o tempo
Que não se desvincula de mim...

Sua voz me irrita!
O tempo me irrita!
Eu me irrito!

O que sei fazer?
O que já me disseram que sei fazer?
Pelo que já fui elogiado?
De que eu gosto?
O que me pediram para fazer que eu tenha gostado ou querido?
Para que já fui incentivado?

Minha voz, dentro de mim,
Me irrita!
(essa é a questão)

Mais cinquenta e duas semanas
Mortas de minha vida...
E dentro de mim morre também
Um certo alguém
Que nunca me aceitou,
Que nunca me elogiou:
Uma aberração do próprio DNA.

E essa voz...
Essa voz que não cessa...
Isso me irrita...
Me irrita pra caralho...

Sou o corte aberto que fizeste
E foço valer cada cicatriz.
(se é que os cortes se curam)

Sua voz me irrita demais ao telefone!
… Tenho saudades de ti ao meu lado,
… Em silêncio...
(não muito duradouro)

Vazio...vazio...
Assim como esse mês de agosto.
Agosto de merda,
Termina logo com essa angustia!
Ao gosto de quem?

Finalizo essas palavras deixando
Apenas a pergunta:
Qual minha função,
Nesse mundo de cabeças invertidas?

(há dias na vida
em que dentro da gente
a gente é pior
que todo mundo)

quarta-feira, 17 de agosto de 2011



AGORA, ENQUANTO O TEMPO PARA...

Agora, para ser protegido preciso marcar hora;
Agora, para me ver no espelho, tenho que marcar hora;
Agora, para me divertir tenho que marcar hora;
Agora, para viver tenho que marcar hora;
Ora ! Para que marcar tanta hora?
Ops,
Agora, para perguntar tenho que marcar hora;
Até para ver as horas, tenho que marcar hora.
A única hora que não preciso marcar hora é a hora em que atraso o relógio
para controlar as horas que tenho para sorrir...
E recordar.

terça-feira, 5 de julho de 2011



INFINITO POTENCIAL

Assim de súbito fui pego
por um pensamento
que me deixou
em desassossego.

Se nada mais fosse natural
seria eu capaz,
por bem ou por mal,
olhar para traz
e me rever de forma irracional?

Vida sem expectativa
ou plena em perfeição
me desanima em demasia,
ou motiva-me por precisão.

Universo vasto e vidente
pense com carinho
as decisões que colocará
em meu caminho.

(perplexo: todo medo
é traumático
e didático?)

Espero deparar-me comigo
anos à frente
para conferir quem vencerá
esta batalha aparente:
o medo e a precisão,
o natural ou racional.

Para saber com exatidão
somente vivendo
infinitamente duas vidas
unidas em comunhão.

Após inerente ato
tornaremo-nos
de fato
um organismo
incalculável
em duração,
intensidade
e extensão.

(Da-se como comunhão a reunião
de forças para tornar-se maior
que qualquer outro ser
de mesma natureza)

sábado, 4 de junho de 2011



ALGORITIMO

Não precisa de muito
para ser nada...
basta não fazer
o que lhe cabe...

então,

pare de se culpar,
não
decaia em sua própria
mas-
morra,

trate-se antes que
se mate...

sábado, 14 de maio de 2011



DEPOIS DE HOJE

Como se encontrar a felicidade,
Fosse um acaso,
Me encontrei de braços abertos,
Assim me permitia a situação,
Acaso ou não, não posso deixá-la ir embora,
Principalmente sabendo que a felicidade
É encontrada por todos, independente do local onde ela se encontra.
Não cabe a qualquer humano medir
Ou saber o quanto ela durará,
Resta aproveitá-la e usa-lá sem o mínimo de moderação!
Uma nova fase se inicia,
Uma fase conjunta em todos os quereres e medos...
Mas estamos libertos para tentarmos de novo e para sempre!
Assim as vidas se unem e se merecem...
Assim duas vidas se cuidam...
E se querem...
Não somos escolhas ou preferencias,
Somos amor ou não...
O resto...
O resto sempre se arrasta...
Mas chega um dia que passa...
Sejamos então somente dois corpos
Amantes, em plena exaustão
De um amor fluído
Em cada coração...

terça-feira, 29 de março de 2011



PALAVRAS

Torna-te alimento das palavras
Que estão soltas no ar...

A maioria dos meus dias vividos
Até agora foram felizes,
O restante deles
Foram normais...

Soltas no ar...

Apanha-as e reviva a felicidade,
Sem se esconder sabe-se onde!
Porque não me chegam as frases?
Porque não dou conta de pega-las?

Soltas...
Que diabos!
Estão soltas e sem nexo...

Não consigo formar uma mísera frase sequer!

Soltas, completamente soltas,
Quisera que todas seguissem um fluxo só,
Como um rio,
E ao desaguar em um mar
(de palavras)
Se tornassem
Um belo poema para um amor...

Mar salgado,
Cheio de areia e ressaca
Lambuze dentro e fora
De nossas vestes mínimas...
Assim quando chegar em casa
Ainda me lembraria de ti,
Do poema,
E do dia...
Pois encontraria a areia esquecida
Em meus bolsos...
A pegaria em minhas mãos
E veria a água do banho
A levar para o ralo...

Soltas...
Novamente indo direto para o mar...

domingo, 13 de março de 2011



VALE O QUANTO SABE


É uma pena que eu não valho nada. Foram anos tentando e chega uma hora que de repente você acorda, ou leva na cara, que tudo que fez não valeu nada. Você então começa a se lembrar de tudo, de tudo mesmo que já fez, em nome do futuro. Cada momento que passa uma lembrança lhe vem: ter nascido, ser escolhido na loteria milionária dos espermatozoides; cair em uma família que você nunca viu na vida de feto, e olha que ela já vem toda pronta, de avós a primos, às vezes até cachorro já temos; ai vem a educação familiar, a que serve de base, de escoro, de norte para sua vida toda, e..., e..., bem, é um tal de menino não faça isso, não mexa naquilo; foi você que quebrou essa cadeira? Não coma porcaria. Coma isso, e isso e isso; cadê os chinelos; já escovou os dentes, penteou os cabelos? (para que se vão atrapalhar ao dormir?), não me responda, aliás, não responda ninguém; respeite os mais velhos; silêncio que estou assistindo televisão (e não se movam no sofá enquanto isso); pare de chorar, choramingar ou soluçar; não fale palavrão; não tenha opinião, além da minha; pare de perguntar; não grite; brincar com fogo e água não pode, faca também; vista isso que ta frio, tire esse gorro que ta muito quente; ô menino se eu te pego... e assim por diante. Depois chega o momento tão esperado de libertação dos pais: a alfabetização escolar. Pronto agora ele aprende a viver em sociedade, a dar valor no companheirismo, a ter compromisso... menino pare de rabiscar a parede; não pode conversar com o amiguinho na hora da aula; não coma cola, ela vai grudar seu estomago, ou entupir suas tripas; chiclete no cabelo não vale, não vale não. Não pode! É, pode pintar esse desenho da cor que você escolher, não roxo não pode, vermelho também, rosa, nem pensar; não chuta a canela do Pedro; não chora, só porque o Pedro te enfiou o dedo nos olhos, você já é grandinho; não corra no recreio; não jogue pedra nos outros, é isso mesmo, mesmo que ele tenha jogado primeiro, não pode! Coma toda sua papa, e pare de comer cola novamente. Para tarefa de casa vocês têm que fazer isso, aquilo e aquilo outro. Foi mais ou menos assim, e o pior é que quando estamos pensando que vai acabar, piora! Chegou a hora e a vez do segundo grau, acho que era motivo para comemoração, afinal fui elevado de posto, promovido, agora posso fazer o que quiser. Colar na prova não pode, da suspensão e dependendo expulsão; matar aula também é muito grave e causa os mesmos efeitos; bomba no recreio é crime; namorar no colégio não pode, já falei que não pode. Não, não! Você aqui de novo, vai tomar suspensão, você já tinha sido avisado que não podia. Pode falar quem quebrou a pia; você sabe os nomes dos que mataram aula, fale, estou esperando; quem pegou a bola, você sabe que é um patrimônio público. De novo, de que série é essa menina? Ô menino, já não dissemos que não pode namorar no corredor! Não, em nenhuma parte dentro do colégio. Você vai ser penalizado porque ajudou seu amigo a colar, você encobertou o que eles fizeram, então é tão culpado quanto; a fila da merenda é só para quem precisa; tomem conta dos livros que eles serão de outros alunos ano que vem; não responda; não tenha opinião. E coisas do tipo que não me lembro mais. Pronto agora acabou, terminei o tal do segundo grau, estou livre, vou ver o mundo, conhecer pessoas e espalhar meus genes. Calma, você tem que fazer faculdade, hoje todo mundo faz, e se não fizer você não vai ser nada na vida. Todo mundo tem que ter uma profissão. Qual vai ser a sua? Não, essa acho que não se perece com você. Essa não tem mercado, essa outra não dá dinheiro. Pronto, já escolheram então vamos lá, agora vai ser tudo diferente. Ô rapaz, para de conversar em aula; matar aula pode, só que te pego nas provas, e promessa é dívida; claro, pode colar, é só eu não ver, afinal o burro é você. Pode, pode comer o que quiser, só pense antes o que tal comida pode lhe causar, obesidade, artrite, celulite, conjuntivite, mastite, gonorreia, seborreia, gravidez e cólera; não delate os companheiros, só se for chamado na frente de um conselho de professores, aí pode, se não quem paga o pato é você; não explore as pessoas, a não ser em trabalhos de grupo, líder que é líder sabe aproveitar as capacidades de seus, digamos assim, liderados; trate os professores de igual para igual, só não queira que a recíproca seja verdadeira, eles são superiores mesmo, talvez se torne assim um dia, quem sabe. Pegou o livro, devolva, se não devolver: multa e dependendo, expulsão permanente das estantes empoeiradas; aprenda informática, mas não vire hacker; tire as melhores notas, ou morra tentando; a competição faz parte do mundo lá fora, acostume-se, ninguém vai passar a mão na sua cabeça, ninguém mais te protegerá; ah, o mais importante: finja que tem opinião, e opine sempre que puder, mesmo que não saiba do que se trata o assunto. E pensar que depois de todo esse ensinamento paro nesse exato momento e me pego em uma crise existencial, não sei porque isso sempre acontece comigo, também eu não valho nada mesmo. E você?

segunda-feira, 3 de janeiro de 2011



RETIFICAÇÃO

Sr. Neruda,
Como disseste em certa ocasião,
Acho que temos nosso canto nascido
Da solidão como castigo!
Castigo ou predeterminação?
Não seria melhor a solidão
Do que dividir o teto,
O amor,
Com Brutos: o manipulador?
Certas palavras nos cortam como faca
Despedaçam nossa alma,
Nosso futuro.
Você não é nada, nunca foi nada
E quer me levar para a mesma fossa de onde viera?
Morra, terra seca e estéril, morra
Em sua própria mesquinharia,
Em sua vida de ilusão,
Em seu consumo falido,
Em seu suporte sem sustentação,
Em seu próprio veneno. Morra!
Recebi uns cortes na mão ócio, por descuido,
Mas aprendi a desinfeta-las regularmente
Aguardando com paciência sua recuperação,
Sua cicatrização.
O tempo,
Só o tempo te mostrará
O quão competente é a vida que te cerca!
Isso se der para você enxergar de lá de baixo,
De lá do fundo do atoleiro fútil que cultivaste,
Boneca de porcelana empoeirada,
Isso se um dia deres conta de se enxergar,
De se ver no espelho e descobrir que nem reflexo conténs,
Por ser vazia:
Sem conteúdo.
Como admiro pessoas que transmitem inteligência!
Como admiro as que passaram por mim...
Meu canto, revolucionário Neruda,
Não nasce da solidão,
Nasce do sofrimento por sermos um nada
Por sermos puro e simplesmente
A significação da palavra
Incompetência!
(bem...
pelo menos esse é meu caso!)

domingo, 5 de dezembro de 2010



OLIVEIRA.

Ontem a senhora e majestosa
Vó pequenininha
Nos deixou...
Trinta e dois quilos foi
o que restou de seu corpo,
três trilhões de toneladas foi
o peso dos ensinamentos deixados
por ela...
Senhora de quase um século completo,
que vivia sem luz elétrica e com fogo
feito de lenha e estopa de sabugo; senhora
simples, pura e guerreira,
lutou por seus filhos em uma revolta
concebida no lar, numa época em que mulher
nada podia fazer...
Fez...
estudou os filhos
e deu-os o poder da escolha, a liberdade
de serem o que quisessem. Tal ato
mudou tudo, mudou o rumo pré posto de todos,
esse ato mudou minha vida, pois sou fruto
dos filhos libertos por ela...
Vózinha, o mundo hoje está triste,
foi um dia muito ardente, caloroso, quente,
abafado,
o sol nos mostrava que algo tinha acontecido,
que um astro aqui na terra tinha falecido!
E o sol que reinava com tanta força, fazia
para mostra-la o verdadeiro caminho do céu,
o seu céu,
pelo qual a senhora sempre rezou em sua cozinha
semiescura iluminada por um lampião a gás.
O sol minha vó, será sua luz,
a luz de seu Deus criador... vai,
vai e faça do céu seu lar
e leve contigo para esse lugar
a mesma alegria e ensinamentos que
aqui nos deixou...
Torne seu novo lar em luz,
em explendor... que saberei para onde olhar
quando precisar de sua voz
para me orientar...
Brilhe sua luz eternamente sobre mim...
Senhora!

quarta-feira, 10 de novembro de 2010



URGENTE

Assim é a vida,
Nos usa durante anos
E no final,
Que é quando mais precisamos dela,
Nos abandona!

Já busquei conforto em Neruda
E na eterna luta do povo latino
Contra o imperialismo,
Enquanto isso ela continuava se esvaindo
Pouco a pouco,
Dia após dia...

Pra que lutar tanto se no final somos abandonados
Dentro de um deserto escuro e apertado,
Vivendo em um estado de asfixia eterna
Usando uma roupa que não nos cabe,
Que nos aperta cada instante mais,
Por continuarmos a inchar e soltar gases
Até explodir nossa carne orgânica
Restando apenas os ossos
Que demoram, mas também somem de vez
Desse mundo que nos consome.

Tornamo-nos peça de museu a céu aberto,
Largado ao tempo
Para apreciação de vampiros fotográficos
Que nos arrancam
Pedaço por pedaço
A essência de nossa alma...

Como é difícil ver o tempo passar...
Como é difícil virar sucata...

Como é difícil abandonar...
O único fio de vida
Que nos resta.

Ainda bem
Que fui feito de ferro
E mesmo findo
Vou ficar por muito tempo,
Exposto ao tempo,
E aos olhos de todos
Que saibam o lugar
Onde me encontrar.

O deserto onde agora jaz meu corpo
Torna-se lugar de peregrinação
De pessoas que como eu
Não souberam,
Por alguma razão,
Que a vida
Era para ser usada
Sem restrição.

terça-feira, 28 de setembro de 2010



A PROUCURA DE UM NOME

Assisto a todo o letreiro
Depois que o filme acaba
Só para ver se encontro meu nome ou meu personagem por lá...
Como é difícil se encontrar naquelas letrinhas miúdas
E que sempre passam rápidas de mais...
Saber qual trilha sonora me acompanha, já desisti!
Perdi também as referencias de todas as vidas!
Que personagens somos agora?
Com quem contracenamos?
Somos somente coadjuvantes?
Sei que vale a pena sair para dançar sob a chuva tão esperada...
Pois a sequidão anterior sufocava e acabava com todo verde
Que pudéssemos imaginar,
Verde que morria por falta de água ou pelo fogo criminoso
Posto por mãos vacilantes e descontentes...
Acaba o letreiro,
E como cinza de fogo extinto
Pulverizo-me ao soprar do mais fraco vento
Que me arrasta em partículas insignificantes
Pra bem longe...
Para fora do meu alcance...
Destruindo mais uma vida fictícia
Que tentava vivenciar.

Fim de tudo, tela escura.
Hoje já nem temos a tecla de rebobinar:
Os sonhos é que são felizes por serem infinitos...